quinta-feira, 26 de março de 2015

QUAL É A RELAÇÃO ENTRE FONEMA E GRAFEMA?


A palavra fonema vem de fonologia, que é formada pelos elementos gregos fono (som, voz) e log, logia (estudo, conhecimento). Significa literalmente "estudo dos sons" ou "estudo dos sons da voz". O homem, ao falar, emite sons. Cada indivíduo tem uma maneira própria de realizar esses sons no ato da fala. Essas particularidades na pronúncia de cada falante são estudadas pela fonética. Dá-se o nome de fonema ao menor elemento sonoro capaz de estabelecer uma distinção de significado entre as palavras.

Grafema é um termo que designa as letras, os sinais de pontuação (diacríticos) e demais símbolos de um sistema de escrita. O grafema é a unidade fundamental de todo e qualquer sistema de escrita sendo indivisível (base), e abstrato não material. Por ser a base dos sistemas de escrita, os grafemas permitem diferenciar palavras com sonorização e, ou, escrita muito próximas (homônimas perfeitas). Um símbolo alfabético é letra quando representa o fonema enquanto fonema. Quando é um fonema funcional, ou seja, tem uma função acerca da definição e, ou, sentido numa palavra o símbolo ou grupo de símbolos é dito grafema.

A escrita é um objeto simbólico, um substituto que representa algo. Ela não constitui uma transcrição fonética da fala, mas estabelece uma relação essencialmente fonêmica, isto é, a escrita procura representar aquilo que é funcionalmente significativo, estabelecendo um sistema de regras próprias (Kato, 1986; Ferreiro e Teberosky, 1991).

A aquisição da escrita exige que o indivíduo reflita sobre a fala, estabeleça relações entre os sons e sua representação na forma gráfica, entrando em jogo a consciência fonológica. Neste sentido, Morais (1996, p. 176) aponta que a chave da linguagem escrita encontra-se na relação desta com a linguagem falada. Ou seja, é necessário, inicialmente, descobrir a relação existente entre fala e escrita para que se consiga dominar o código escrito. Conforme Vygotsky (1996), a linguagem escrita exige um trabalho consciente, no qual a criança deve desvincular-se do concreto. Um importante obstáculo para a maioria das crianças é compreender o princípio alfabético: palavras escritas contêm combinações de unidades visuais (letras ou combinações de letras) que são sistematicamente relacionadas às unidades sonoras das palavras (fonemas).  

Princípio alfabético: relação fonemas (sons) / grafemas (letras) 

ALFABETIZAÇÃO: formulação de hipóteses sobre a escrita; reflexão sobre a relação entre a fala e a escrita; uso da consciência fonológica.

Observa-se, então, que a aquisição da escrita está intimamente ligada à consciência fonológica, uma vez que para dominar o código escrito é necessária a reflexão sobre os sons da fala e sua representação na escrita. 

A consciência fonológica possibilita a reflexão sobre os sons da fala, o julgamento e a manipulação da estrutura sonora das palavras. Através de tal consciência identificamos palavras que rimam, começam ou terminam com os mesmos sons e somos capazes de manipular a estrutura sonora para a formação de novas palavras.

Existem muitas pesquisas que investigam a relação entre consciência fonológica e alfabetização, buscando desvendar como se dá essa relação: a consciência fonológica é causa ou conseqüência da aquisição da escrita? Estudos recentes têm demonstrado que consciência fonológica e alfabetização se desenvolvem através de uma influência recíproca. Ou seja, as crianças antes de estarem alfabetizadas apresentam níveis de consciência fonológica que contribuem para a alfabetização, enquanto a alfabetização contribui para o aprimoramento desses níveis de consciência fonológica.


Disponível em: http://www.educacao.rs.gov.br/dados/ens_fund_gabriela_mat.pdf; http://letrasunibrportugues.blogspot.com.br/2009/04/fonologia-fonemas-e-grafemas.html; http://www.dicionarioinformal.com.br/grafema/. Acesso em: 26/03/2015.


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