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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

UM APELO A SEI LÁ QUEM PELO MAL(BEM) DITO XEROX!!!

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Sei que muitos já vão logo pensar que estou ficando louca de defender o mal(bem)dito xerox! Quem diria... Eu, doutora em educação, fazendo isso! Pois é exatamente isso que eu vou fazer! Estava cá eu preparando as minhas aulas para uma turma (de faculdade) e pensei: "Se quero sair da mesmice (e sair da mesmice nesse caso é dar aulas sem datashow, sair do modelo tradicional de transmissão de conhecimento, aquele em que a professora fala e o/a aluno/a simplesmente escuta), preciso levar um material diferente. Preciso levar textos para ler com os alunos, preciso fazer perguntas pra eles, preciso provocar discussões a partir desses textos, preciso colocar eles para produzir algo a partir desses textos, preciso que eles organizem o conhecimento e não apenas eu...". Pois bem! Comecei a me mexer! Peguei um texto daqui (na internet, um vídeo dali, comprei cartolina, canetinha, durex, barbante). Digitei trechos de livros, fui elaborando perguntas, montando dinâmicas diferentes... Quando me dei conta, já estava imprimindo um milhão de cópias na minha impressora. E repito: na minha impressora! Porque é assim: Nenhuma escola, nenhuma faculdade banca material de consumo nesse nível para o professor (aliás, não banca quase nada; quando muito, imprimem a prova semestral - e reclamando!). Isso significa que fazer esse tipo de trabalho custa caro e vai da "boa vontade", do "interesse" e da "disponibilidade" de cada professor. No meu caso, eu adquiri uma EPSON L375 jato de tinta há algum tempo (e foi a melhor coisa que já fiz na vida! Super recomendo!). Ainda assim gostaria de frisar que o uso do xerox NÃO É sinônimo de uma prática reprodutivista ou tradicional. O uso do xerox é, muitas vezes, o que possibilita romper com esse tipo de prática (como acontece geralmente no ensino superior, conforme relatei aqui). Na alfabetização não acredito ser muito diferente, se você tem opções, você leva outros textos, outros gêneros, outros jogos, outras opções para os/as alunos/as (e isso é sempre melhor do que só o livro didático ou só o que tem na própria escola. Por isso, não condenem de imediato o xerox! Ao contrário, ajudem a lutar por melhores condições de trabalho docente nas escolas!

Imagem disponível em: http://biblioufcspa.blogspot.com.br/2012/03/. Acesso em: 17. ago. 2017.




sexta-feira, 14 de julho de 2017

APLICATIVOS DE CELULAR QUE PODEM AJUDAR NA ALFABETIZAÇÃO

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Jogos, brinquedos e brincadeiras são parte do processo de aprendizagem ao longo de toda a infância. Desafiam, despertam a curiosidade e ajudam a estabelecer a relação entre o indivíduo e o mundo. Com o processo de alfabetização não é diferente: eles podem ser uma ferramenta importante para a introdução ao universo das letras.
Para um nativo digital, familiarizado com recursos tecnológicos desde cedo, é natural brincar e jogar videogames, celulares e tablets. E, se tudo isso é parte do cotidiano da criança, não há porque não usar também no caminho que leva à leitura e à escrita.
“Existem aplicativos e programas que contam histórias e ensinam a identificar imagens, letras e palavras”, exemplifica Carlos Querido, coordenador de Tecnologia Educacional do Colégio Nossa Senhora do Morumbi (SP). Ele acredita que vale a pena apostar em recursos tecnológicos, tanto na escola como em casa – embora o uso nesses dois ambientes se dê de maneira diferente. “Na escola, o uso é pedagógico e há o convívio com os colegas. Já em casa, os pais devem ficar atentos à passividade. Deixar a criança jogando sozinha esvazia o sentido da atividade”, afirma. Sem falar que, sozinha, a tecnologia não garante aprendizagem nenhuma.
O mais importante, segundo Querido, é que os pais consigam organizar a rotina e ter um tempo disponível para interagir com o filho na hora de usar o tablet ou smartphone. Ele lembra que a questão da oralidade também é fundamental para a alfabetização, o que reforça a importância da mediação do adulto. Outra orientação é não dar à brincadeira o caráter de obrigatoriedade. Apresente ao seu filho o jogo ou atividade e certifique-se de que ele demonstra interesse. De outra forma, a brincadeira perde a graça e não há nada para aprender com ela.
Com uma capacidade tecnológica que possibilita a mescla de recursos auditivos e visuais, os dispositivos móveis são ótimos suportes para as crianças desde o início de sua caminhada educacional. A importância desses equipamentos na alfabetização infantil se dá principalmente por seu poder de promover o estímulo em crianças de todas as idades. Afinal, são ao mesmo tempo jogo, lousa, caderno e biblioteca! Já pensou que, com recursos tecnológicos que dão vida às historinhas (com sons, imagens em movimento e ações interativas), os livros para tablet se tornam automaticamente muito mais interessantes?

Sugestões de aplicativos para seus filhos

Escolhemos alguns dos melhores aplicativos para a alfabetização infantil e vamos explicar direitinho os motivos para você apresentá-los a seus filhos. Veja só:

ABC do Bita

O ABC do Bita é um abecedário interativo que, com seus joguinhos, estimula o raciocínio lógico das crianças e trabalha a coordenação motora. A proposta do aplicativo é um novo jogo a cada letra. Com visual bem colorido e lúdico, a criança aprenderá com o macaco que balança, com milhos que viram pipoca e com o helicóptero que voa, tudo com uma trilha sonora cativante e locução profissional em português. Ele está disponível tanto para Android como para iOS.

Animal Sound Box

Aplicativo ótimo para entretenimento dos pequenos, o Animal Sound Box reproduz o som de diversos animais com perfeição. Além de mostrar uma simpática ilustração do respectivo bicho, quando a criança toca no desenho surge a foto real do animal. Vale a pena conferir, pois as crianças menores adoram! Está disponível na loja de aplicativos do Windows.

Cocoricó

Famosa na TV Cultura, a Turma do Cocoricó traz muita diversão para os pequenos com um joguinho de pega-pega que é excelente para desenvolver a coordenação motora. Ambientado em uma fazenda, de forma bem lúdica e simples, o jogo traz os personagens abordando situações do mundo real, ao mesmo tempo introduzindo conceitos de convivência e noções de matérias escolares. Essa turminha está disponível tanto para Android como para iOS.

Colorama

Simulando um livro de desenhos para colorir, o Colorama promete entretenimento de sobra para as crianças! São centenas de figuras para pintar apenas com o toque, trabalhando a coordenação motora. Por meio do aplicativo, você ainda pode compartilhar as obras de arte de seus filhos no Facebook e até imprimir os desenhos para os pequenos guardarem e mostrarem aos amiguinhos. Está disponível para o sistema iOS.

Galinha Pintadinha Paint Book

Um verdadeiro livro de colorir de um dos personagens mais queridos do público infantil. Mas o app vai muito além de apenas colorir, viu? Com ele, seu filho aprenderá sobre letras e números enquanto escutas sons. Com interface intuitiva, as crianças poderão colorir as letras e os números com diferentes ferramentas, podendo inclusive alterar cores. Aumentam assim sua habilidade motora e sua percepção do alfabeto. Está disponível para Android.

Matrix Game

Com opções segmentadas para idades a partir de 4 anos, o Matrix Game é um jogo que estimula as habilidades de percepção visual, atenção, concentração e orientação espacial. A proposta da empresa é fazer as crianças brincarem, explorando, experimentando e aprendendo, com desafios coerentes à sua faixa etária. Disponível para iOS.

PalmaKids

Criado pelo Programa de Alfabetização na Língua Materna, o Palmakids é recomendado para crianças em processo de alfabetização infantil tanto na língua portuguesa como na língua inglesa, ajudando na educação bilíngue. Ao desenvolver as memórias auditiva e visual, o joguinho lúdico e autoexplicativo propõe que as crianças conquistem a Galáxia do Alfabeto e deixem os planetas felizes ao salvar cada uma das letras. Você encontra o app tanto para Android como para iOS.

Pampers Premium Care

Focado nos mais pequeninos, o Pampers Premium Care é um aplicativo para estimular os bebês a exercitarem seus sentidos na fase da descoberta das cores, dos movimentos e das palavras. Contando com 6 áreas de atividades diversas e cores bem vivas, o app realmente prende a atenção das crianças menores. Está disponível tanto para Android como para iOS.

Jogo das Palavras

Com um funcionamento extremamente didático, o Jogo das Palavras é apresentado como a forma mais divertida de aprender a ler e a escrever. No joguinho, mostra-se uma imagem, disponibilizando as letras que formam a palavra correspondente. Com isso, a criança é estimulada a organizar as letras da forma correta. No momento, o app está disponível apenas para iOS.

ABC do Bita 
Desenvolvido pela editora de conteúdo infantil digital Mr. Plot, o aplicativo em português ajuda os pequenos que estão no início da alfabetização a aprender o abecedário por meio da interação com objetos e sua letra correspondente. A criança pode, por exemplo, fazer os milhos virarem pipoca, o helicópero voar e a bola pular enquanto aprende as letras. Por meio de uma navegação intuitiva, o app também estimula o raciocínio lógico e a coordenação motora. Disponível de graça para Android, iPad e iPhone.

CPqD Primeiras Palavras 
Na medida em que interage com o aplicativo, a criança vai aprendendo o alfabeto e a formar palavras e até frases. O app oferece quatro atividades diferentes, que permitem ouvir a pronúncia de letras e palavras, completar palavras com vogais ou consoantes, ordenar as sílabas e dispor as palavras para formar uma frase. Os recursos de voz do aplicativo, que se aproximam da fala natural, são os mesmos utilizados em aplicações na área de acessibilidade. Disponível apenas na loja da Apple, a US$ 0,99.

Tracing ABC 
Disponível em inglês e em espanhol, para Android e iPhone, o aplicativo está disponível de graça em inglês e em espanhol. Por meio do aplicativo, crianças podem treinar a caligrafia de letras maiúsculas e minúsculas, números, formas e palavras completas. Apesar de não ser estar em português, o app proporciona navegação intuitiva e é dividido nos modos Easy e Hard ("fácil" e "difícil", em português). No modo difícil, se o dedo do pequeno não segue a linha exata do giz, a linha ficará vermelha.

Soletrando Lite 
Fazer compras em um supermercado virtual e, ao mesmo tempo, aprender o alfabeto é a proposta do aplicativo, que pretende atender crianças a partir dos 3 anos. Elas podem conhecer alimentos e aprender de forma lúdica como escrevê-los e soletrá-los. Na versão 1.2, o usuário pode escolher o nível de dificuldade. No grau mais difícil, as letras que compõem as palavras dos objetos não aparecem nos moldes. O app é gratuito e pode ser encontrado na iTunes Store.

Kids Alphabet Game 
O aplicativo é um jogo de quebra-cabeça que mistura peças com letras e figuras. Há um quebra-cabeça diferente para cada letra. Voltado para os pequenos que ainda não entraram na escola, mas já começam a aprender o alfabeto, o jogo ajuda a manter a concentração e a desenvolver o raciocínio lógico. Um hipopótamo também ajuda a criança a pronunciar as palavras que aprende. Disponível de graça para Android, iPhone e iPad.

Disponível em: http://revistacrescer.globo.com/Criancas/Escola/noticia/2016/03/alfabetizacao-aplicativos-de-celular-e-tablets-ajudam-no-processo.html; http://novosalunos.com.br/9-aplicativos-que-ajudam-na-alfabetizacao-infantil/; https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/mulher/vida-de-mae/na-tela-aplicativos-facilitam-a-alfabetizacao-dos-pequenos,1c3d6e8a9d78c310VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html. Acesso em: 14/07/2017.

Imagem disponível em: https://www.ivoluntarios.org.br/pages/2611-aplicativo-de-celular-ajuda-a-denunciar-abusos-contra-criancas-e-adolescentes. Acesso em: 14/07/2017.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

QUANDO MEU/MINHA FILHO/A 
VAI LER E ESCREVER?

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"A alfabetização é como começar a andar: quando vemos um grupo de crianças andando, você não sabe quem andou primeiro. Ler é o mesmo: uns começaram em março, outros em outubro, outros em novembro. Mas quando todos leem, você não sabe quem leu primeiro!”, diz a psicopedagoga Renata Aguillar.

Quando lemos a frase da psicopedagoga, parece simples compreender o processo de alfabetização.

Sabemos que a aprendizagem é diferente para cada criança e o tempo para aquisição da leitura e da escrita não é o mesmo para todos, mas recorrentemente a angústia e/ou ansiedade dos pais se traduz na seguinte pergunta: “quando o meu filho vai ler?” Às vezes, a pergunta transforma-se em um pedido de socorro: “quero que me ajude, pois meu filho não lê e conheço alunos da sala dele que já estão lendo há dois meses! Preocupações compreensíveis e muito comuns.”

É importante que compreendam que existem cinco níveis de alfabetização e a criança está em constante evolução. Quando introduzido no mundo das letras, o aluno não estabelece vínculo entre fala e escrita. Ele usa números e letras na mesma palavra e/ou a representa através de desenhos. Posteriormente, a criança percebe que existe alguma relação entre pronúncia e a escrita, desvinculando a escrita das imagens e os números das letras. Supõe que a escrita representa a fala e, aos poucos, começa a combinar vogais e consoantes na mesma palavra, tornando a leitura sociável, como no exemplo a seguir: CAL que corresponde a CAVALO.

Um dos objetivos do 1º ano é que a criança aprenda a ler e escrever, ou seja, que alcance o nível alfabético e isso acontece quando há a compreensão do modo da construção do código da escrita. O aluno entende que existem letras e que estas representam palavras... Há as consoantes, as vogais e, quando combinadas, se transformam em palavras diferentes e as uniões dessas palavras formam uma frase.

Portanto, no 1º ano, o aluno lê e consegue representar o que leu através da escrita, mas vale ressaltar que esse é um processo construído durante todo o ano letivo.

A escrita, por sua vez, é acompanhada de omissão de vogais ou consoantes, principalmente em palavras mais complexas, como na seguinte frase: “O MENINO VIROL UM LOBO E SEUS AMIGOS SAIU CORREDO”. Percebam que a criança troca o “U” pelo “L”, não escreve o “N” na palavra correNdo e não consegue conjugar o verbo “sair” de forma correta.

A troca de letras também é comum em palavras que possuem sons parecidos, como “CAZA” (casa) e “REZOLVEU” (resolveu).

Todas as trocas e omissões de palavras são normais nessa fase e não caracterizam problema de aprendizagem. Comumente, é no 2º ano que os erros ortográficos diminuem. Diminuirão, o que não significa que desaparecerão!

Com relação ao tempo de aprendizagem de cada criança, a escola está preparada para intervir nos diferentes níveis de alfabetização. Caso seja diagnosticada alguma situação que caracterize déficit ou que precise de mais atenção, os responsáveis serão orientados.

Espero que o texto tenha esclarecido alguns pontos do processo de alfabetização.

Exponham suas dúvidas! Quanto menos ansiosos estiverem com relação ao momento em que seu (sua) filho (a) irá ler e escrever, maior será a possibilidade de serem facilitadores do processo ensino-aprendizagem.

Texto escrito pela Professora Samara Moraes - Turma: 1º ano B

Disponível em: http://altograu.blogspot.com.br/2012/02/texto-sobre-alfabetizacao-para-reuniao.html. Acesso em: 28 jun. 2017.

Imagem disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/1979/alfabetizacao-leitura-e-escrita-em-sala-multisseriada. Acesso em: 28 jun. 2017.

sábado, 25 de março de 2017

MIX DE NOTÍCIAS SOBRE 
ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL

















Reportagens completas disponíveis em: http://topicos.estadao.com.br/noticias-sobre-alfabetizacao; http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2016/02/analfabetismo-ainda-atinge-27-dos-brasileiros-e-desafios-sao-grandes.html; http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/09/avaliacao-sobre-alfabetizacao-em-escolas-publicas-preocupa-o-mec.html; http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/09/pesquisa-revela-numeros-criticos-da-alfabetizacao-no-brasil.html; http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2016/02/muitos-brasileiros-nao-entendem-tudo-o-que-leem-diz-estudo.html; http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/taxa-de-alfabetizacao-plena-no-brasil-esta-estagnada-ha-10-anos-2msskxwfmdrdw4yzne26fmjim; https://educacao.uol.com.br/noticias/2015/09/17/ana-dados-sobre-alfabetizacao-sao-ruins-segundo-especialistas.htm. Acesso em: 25/03/2017.

segunda-feira, 20 de março de 2017

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

PERGUNTAS E RESPOSTAS 
SOBRE ALFABETIZAÇÃO

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Por onde começar? Quando meus alunos precisam estar alfabetizados? Pode-se alfabetizar na Educação Infantil? Tire estas e outras dúvidas sobre alfabetização


Inserir todas as crianças de seis anos em um ambiente alfabetizador foi um dos principais objetivos da aprovação do Ensino Fundamental de 9 anos, em fevereiro de 2006. A medida beneficiou crianças que não tinham acesso à Educação Infantil, ficando, muitas vezes, completamente distantes da cultura escrita - o que poderia representar um obstáculo para a sua experiência futura de alfabetização.

Apesar de a medida ser um passo importante, Telma Weisz, criadora do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (Profa), do Ministério da Educação, acredita que ainda há muito a aprimorar na questão da alfabetização, sobretudo porque a tarefa não é apenas dos professores das séries iniciais. "Estamos sempre nos alfabetizando, a cada novo tipo de texto com o qual entramos em contato durante a vida", afirma. 

Por essa razão, tratar leitura e escrita como conteúdo central em todos os estágios é a maior garantia de sucesso que as escolas podem ter para inserir os estudantes na sociedade. É o que fazem muitas professoras de 1ª a 4ª série de Catas Altas (MG), capacitadas pelo Programa Escola que Vale. Mesmo recebendo crianças que não nunca tiveram contato com o chamado mundo letrado antes da 1ª série, os educadores conseguem alfabetizar ao final de um ano. 

"Um fator determinante para a alfabetização é a crença do professor de que o aluno pode aprender, independentemente de sua condição social", diz Antônio Augusto Gomes Batista, diretor do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da Universidade Federal de Minas Gerais. Esse olhar do docente abre as portas do mundo da escrita para os que vêm de ambientes que não ofereceram essa bagagem. 

No município de São José dos Campos (SP), professores de Educação Infantil tentam evitar essa defasagem, lendo diariamente para os pequenos. Assim, por meio de brincadeiras, criam situações das quais a língua escrita faz parte. Já em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, duas especialistas de Língua Portuguesa e Ciências tiveram de correr atrás do prejuízo com turmas de 5ª série que ainda apresentavam problemas de escrita. Para isso, aliaram muita leitura a um trabalho sobre prevenção à aids, que fazia sentido para eles e tinha uma função social. 

Com base nessas experiências, relatadas a seguir, e na opinião de especialistas, respondemos a nove questões sobre alfabetização, mostrando ser possível formar leitores e escritores competentes em qualquer estágio do desenvolvimento.

1- Meus alunos de 1ª série não têm contato com a escrita. Por onde começo?

O pouco acesso à cultura escrita se deve às condições sociais e econômicas em que vive grande parte da população. O aluno que vê diariamente os pais folheando revistas, assinando cheques, lendo correspondências e utilizando a internet tem muito mais facilidade de aprender a língua escrita do que outro cujos pais são analfabetos ou têm pouca escolaridade. Isso ocorre porque ao observar os adultos a criança percebe que a escrita é feita com letras e incorpora alguns comportamentos como folhear livros, pegar na caneta para brincar de escrever ou mesmo contar uma história ao virar as páginas de um gibi. Cabe à escola oferecer essas práticas sociais aos estudantes que não têm acesso a elas. O ponto de partida para democratizar o contato com a cultura escrita é tornar o ambiente alfabetizador: a sala deve ter livros, cartazes com listas, nomes e textos elaborados pelos alunos (ditados ao professor) nas paredes e recortes de jornais e revistas do interesse da garotada ao alcance de todos. Esses são alguns exemplos de como a classe pode se tornar um espaço provocador para que a criança encontre no sistema de escrita um desafio e uma diversão. Outra medida para democratizar esses conhecimentos em sala de aula é ler diariamente para a turma. "A criança lê pelos olhos do professor - porque ainda não pode fazer isso sozinha -, mas vai se familiarizando com a linguagem escrita", explica a educadora Patrícia Diaz, da equipe pedagógica do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac), em São Paulo.

2- Quando posso pedir que as crianças escrevam?
Elas devem escrever sempre, mesmo quando a escrita parece apenas rabiscos. Ao pegar o lápis e imitar os adultos, elas criam um "comportamento escritor". E, ao ter contato com textos e conhecer a estrutura deles, podem começar a elaborar os seus. No primeiro momento, as crianças ditam e você, professor, escreve num papel grande. Além de pensar na forma do texto, nessa hora os estudantes percebem, por exemplo, que escrevemos da esquerda para a direita. "Mostro que a escrita requer um tempo de reflexão antes de ser colocada no papel", afirma Cleonice Maria Rodrigues Magalhães, professora de 1ª série da Escola Municipal Agnes Pereira Machado, em Catas Altas (MG). Ela participou do Programa Escola que Vale, que capacitou professores de 1ª a 4ª série do município durante dois anos e meio. Antes da escrita, as crianças devem definir quem será o leitor. Assim, quando você lê o texto coletivo, elas imaginam se ele compreenderá a mensagem. Nas primeiras produções haverá palavras repetidas, como "daí". Pelo contato diário com textos, os alunos já são capazes de revisar e corrigir erros. "Com o tempo, antes mesmo de ditar, eles evitam repetir palavras e pensam na melhor forma de contar a história", afirma Rosana Scarpel da Silva, professora do Infantil IV (6 anos), da Escola Municipal de Educação Infantil Maria Alice Pasquarelli, em São José dos Campos. Em paralelo, é importante convidar a garotada a escrever no papel. Isso dá pistas valiosas sobre seu desenvolvimento.

3- Como faço todos avançarem se os níveis de conhecimento são muito diferentes?
Não há nada melhor em uma turma que a heterogeneidade. Como os níveis de conhecimento são variados, existe aí uma grande riqueza para ser trabalhada em sala. Organizar os alunos em grupos e duplas durante as atividades é fundamental para que eles troquem conhecimentos. Mas essa mistura deve ser feita com critérios. É preciso agrupar crianças que estejam em fases de alfabetização próximas. Quando você coloca uma que usa muitas letras para escrever cada palavra trabalhando com outra que usa uma letra para cada sílaba, a discussão pode ser produtiva. Como elas não sabem quem está com a razão, ambas terão de ouvir o colega, pensar a respeito, reelaborar seu pensamento e argumentar. Assim, as duas aprendem. Isso não ocorre, no entanto, se os dois estiverem em níveis muito diferentes. Nesse caso, é provável que o mais adiantado perca a paciência e queira fazer o serviço pelo outro.

4- Posso alfabetizar minha turma de Educação Infantil?
Sim, desde que a aprendizagem não seja uma tortura. Participar de aulas que despertem a curiosidade e envolvam brincadeiras e desafios nunca será algo cansativo. Em turmas que têm acesso à cultura escrita, a alfabetização ocorre mais facilmente. Por observar os adultos, ouvir historinhas contadas pelos pais e brincar de ler e escrever, algumas crianças chegam à Educação Infantil em fases avançadas. Por isso, oferecer acesso ao mundo escrito desde cedo é uma forma de amenizar as diferenças sociais e econômicas que abrem um abismo entre a qualidade da escolarização de crianças ricas e pobres. Dentro dessa concepção, a rede municipal de São José dos Campos implementou horas de trabalho coletivo para a formação continuada dos professores. Há um coordenador pedagógico por escola e uma equipe técnica responsável pelo acompanhamento dos coordenadores. As crianças de 3 a 6 anos atendidas pela rede aprendem, brincando, a usar socialmente a escrita. Em sala, os professores lêem diariamente e promovem brincadeiras. Os pequenos identificam com seu nome pastas e materiais, usam crachás, produzem textos coletivos que ficam expostos nas paredes e têm sempre à mão livros e brinquedos. "Nossas atividades incentivam a pensar sobre a escrita, tornando-a um objeto curioso a ser explorado. E tudo de forma dinâmica, porque a dispersão é rápida", conta Clarice Medeiros, professora do Infantil III (5 anos) da escola Maria Alice Pasquarelli. "No ano passado, quando recebi os alunos de 3 anos, eles já sabiam diversos poemas e conheciam Vinicius de Moraes. Também identificavam as diferenças entre alguns gêneros textuais", lembra Liliane Donata Pereira Rothenberger, professora do Infantil II (4 anos). De acordo com a orientadora pedagógica Helena Cristina Cruz Ruiz, o objetivo é desenvolver o comportamento leitor desde cedo para que os alunos se comuniquem bem, produzam conhecimentos e acessem informações.

5- Faz sentido oferecer textos a estudantes não-alfabetizados?
Canções, poesias e parlendas são úteis para se chegar à incrível mágica de fazer a criança ler sem saber ler. Quando ela decora uma cantiga, pode acompanhar com o dedinho as letras que formam as estrofes. Conhecendo o que está escrito, resta descobrir como isso foi feito. Se o aluno sabe que o título é Atirei o Pau no Gato, ele tenta ler e verificar o que está escrito com base no que sabe sobre as letras e as palavras - sempre acompanhado pelo professor. O leitor eficiente só inicia a leitura depois de observar o texto, sua forma, seu portador (revista, jornal, livro etc.) e as figuras que o acompanham e imaginar o tema. Pense que você nunca viu um jornal em alemão. Mesmo sem saber decifrar as palavras, é possível "ler". Se há uma foto de dois carros batidos, por exemplo, deduz-se que a reportagem é sobre um acidente. Ao mostrar vários gêneros, você permite à criança conhecer os aspectos de cada um e as pistas que trazem sobre o conteúdo. Assim, ela é capaz de antecipar o que virá no texto, contribuindo para a qualidade da leitura.

6- Como seleciono e uso os textos em sala?
Segundo Patrícia Diaz, do Cedac, é preciso ter critérios e objetivos bem estabelecidos ao escolher os textos. Por exemplo: se ao tentar diversificar os gêneros você ler um por dia, os alunos não perceberão as características de cada um. "O ideal é que a turma passeie por diversos gêneros ao longo do ano, mas que o professor trace um plano de trabalho para se aprofundar em um ou dois", afirma. Patrícia sugere a narração como base para o trabalho na alfabetização inicial, pois ela permite ao aluno aprender sobre a estrutura da linguagem e do encadeamento de idéias. A escolha dos textos deve ser feita de acordo com o repertório da turma. É preciso verificar se a maioria dos alunos passou ou não pela Educação Infantil, que experiência eles têm com a escrita e que gêneros conhecem. Durante a leitura de uma revista, por exemplo, é importante chamar a atenção para títulos, legendas e fotos. Assim, as crianças aprendem sobre a forma e o conteúdo. Se o texto é sobre plantas, percebem que nomes científicos aparecem em itálico. "Por isso é fundamental trabalhar com os originais ou fotocópias", ressalta Patrícia. Adaptar os textos também não é recomendável. As crianças devem ter contato com obras originais, uma vez que, ao longo da vida, serão elas que cruzarão o seu caminho. Se um texto é muito difícil para turmas de uma certa faixa etária, o melhor é procurar outro, sobre o mesmo assunto, de compreensão mais fácil.

7- Ao fim da 1ª série, todos devem estar alfabetizados?
Não necessariamente, apesar de ser recomendável. Se a criança foi exposta a textos e leituras variadas e teve oportunidade de refletir sobre a língua e produzir textos, é bem provável que ela termine essa série alfabetizada. Mas isso depende de outros fatores, como ter cursado a Educação Infantil e recebido apoio dos pais em casa. "Crianças que não têm esse contato com textos e que não convivem com leitores podem precisar de mais tempo para aprender o sistema de escrita. Mas minha experiência mostra que nenhuma criança leva mais de dois anos para isso", diz a educadora Telma Weisz, de São Paulo. Como na educação não existem fôrmas em que se encaixem as crianças, é papel da escola oferecer condições para que elas se desenvolvam, sempre respeitando o ritmo de cada uma. Quando se adota o sistema de ciclos, isso ocorre naturalmente, pois os alunos têm possibilidade de se aperfeiçoar no ano seguinte. Quando não há essa chance, eles correm o risco de engrossar os índices de reprovação. O aluno pode iniciar a 2ª série ainda tendo que melhorar a sua compreensão sobre o sistema de escrita, mas ao fim do segundo ano a escola teve tempo suficiente para ensinar a todos.

8- Preciso ensinar o nome das letras?
Sim. Como a criança poderá falar sobre o que está estudando sem saber o nome das letras? Ter esse conhecimento ajuda a turma a explicar qual letra deve iniciar uma palavra, por exemplo. Para ensinar isso, basta citar o nome das letras durante conversas corriqueiras. Se a criança está mostrando a que quer usar e não sabe o nome, basta que você a aponte e diga qual é. Trata-se de algo que se aprende naturalmente e de forma rápida, sem precisar de atividades de decoreba que cansam e desperdiçam o seu tempo e o do aluno.

9- Como ajudo alunos de 5ª série que ainda não lêem nem escrevem bem?
É angustiante para o professor receber crianças com problemas de alfabetização. Por não conhecer o assunto, acredita que a escrita incorreta é indício de que elas não se alfabetizaram. Mas nem sempre essa avaliação é verdadeira. O mais comum é a criança já dominar a base alfabética, mas ter sérios problemas de ortografia e interpretação. Daí a impressão de que ela não sabe ler e escrever. Foi essa experiência por que passaram as professoras Valéria de Araújo Pereira, de Língua Portuguesa, e Jaidê Canuto de Sousa, de Ciências, ambas da Escola Estadual Maria Catharina Comino, em Taboão da Serra (SP). Em 2005, elas lecionavam para uma turma de 5ª série de recuperação de ciclos com muitos problemas de escrita, o que as motivou a procurar a Diretoria de Ensino para participar do programa Letra e Vida, oferecido pela rede paulista a professores de 1ª a 4ª série. "Fiquei surpresa com a insistência das duas. Como havia vagas, abrimos uma exceção e valeu a pena", diz Silvia Batista de Freitas, coordenadora-geral do programa na Diretoria de Ensino da cidade. O curso iniciou em março. No segundo semestre, a turma de alunos foi distribuída nas salas regulares. Com o objetivo de trabalhar a escrita, Valéria e Jaidê elaboraram um projeto sobre aids. Os alunos assistiram a vídeos, debateram e levantaram o que sabiam e o que gostariam de saber sobre o assunto. As leituras foram sistemáticas e diárias, com pesquisas em livros, revistas, enciclopédias, internet e panfletos informativos - gênero escolhido para ser o produto final do projeto. "Leitura e escrita não são apenas conteúdos de Língua Portuguesa. São práticas necessárias em todas as disciplinas e em todas as séries", diz Jaidê. "Por isso, temos a responsabilidade de conhecer o modo como os alunos aprendem e assim estimulá-los a ser leitores e escritores mais competentes", conclui Valéria.

Disponível em: http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/dicas-alfabetizacao-403863.shtml. Acesso em: 16/12/2016.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

O QUE É A ESCRITA ESPELHADA?

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A escrita espelhada pode ser caracterizada por dois tipos de ocorrências: as relações de letras e a mudança da posição da letra no interior da palavra. Nas rotações, as letras são rodadas sobre o próprio eixo; temos, por exemplo, as inversões das letras: p e q, b e d, u e n. A mudança de posição ocorre quando uma letra tem sua localização modificada dentro da palavra; por exemplo, a criança escreve anso para anos, ou coraçoa para coração. A escrita espelhada é uma ocorrência comum e frequente nos primeiros anos de escolarização e não pode ser considerada como indício de distúrbios e patologias.

Antes da contribuição de vários estudos linguísticos que se ocuparam dessas ocorrências, apresentando explicações que subvertem a lógica do erro, vigorou na Pedagogia uma perpesctiva organicista, pois o espelhamento de letras era entendido como um problema de natureza neuropsicomotora e de domínio espacial, cuja explicação estava relacionada ao conflito entre hemisférios direito e esquerdo do cérebro, falhas na percepção visual, na lateralidade, no esquema corporal ou em noções espaço-temporais.

No Brasil, o trabalho de Cacilda Cuba dos Santos, na década de 1970, seguiu essa tendência de análise, apontando erros típicos que podem ocorrer tanto na escrita quanto na leitura: confusão entre letras simétricas (p/q; n/u; d/b), inversão da ordem das letras dentro de uma sílaba (pal/pla). Disseminou-se a crença, tanto no meio clínico quanto no meio escolar, de que as inversões de letras poderiam ser indícios definidores da dislexia. Com base na perspectiva psicogenética piagetiana, pode-se explicar a escrita espelhada a partir de outros argumentos, que vão além dos aspectos visoespaciais, e romper com uma explicação de caráter patológico. A referência está calcada nos aspectos próprios do desenvolvimento cognitivo infantil, na construção da noção de realidade, mais especificamente, a noção de permanência e de invariância do objeto. Uma das principais descobertas da criança é a compreensão de que os objetos podem ter uma existência independente e que eles possuem propriedades invariáveis. 

Assim, a partir do desenvolvimento dessa capacidade, uma criança pode reconhecer seus pais, bem como outras pessoas que lhe são familiares, independentemente da posição em que se encontrem. No caso da escrita, a situação é bem diferente, ou seja, a posição da letra determina sua identidade, e esse aspecto precisa ser observado; por exemplo, quando o círculo estiver voltado para baixo e para a esquerda, será a letra "d"; quando estiver voltado para baixo e para a direita, será a letra "b"; quando o círculo estiver voltado para a direita e para cima, é a letra "p"; e, por fim, se estiver voltado para a esquerda, será a letra "q", ou seja, a letra não é um objeto que pode modificar de posição e se manter como 'invariante'.

Conhecer as convenções da escrita e suas arbitrariedades é um primeiro passo para solucionar os problemas que envolvem a escrita espelhada. A criança precisa ser orientada sobre a necessidade de se levar em consideração a posição das letras, tomando como referência o espaço gráfico, isto é, as margens do papel, a direção (da esquerda para a direita) e o sentido (de cima para baixo) da escrita. É importante mostrar para a criança que, além de sua permanência como traço gráfico e sua convencionalidade, as letras também podem até mudar de som em razão da posição de passam a ocupar; por exemplo, a letra R no início da palavra, como ROMA (som forte), e a letra R entre duas vogais, como BARATA (som fraco).

A criança também precisa compreender que, se é invertido o PAL pelo PLA, ocorre mudança sonora na leitura da palavra. Estudos recentes mostram que quanto mais a sílaba se distancia do padrão CV (consoante vogal), mais chances tem o aprendiz de trocar a ordem das letras - mas essas ocorrências estão num padrão de normalidade comum na fase inicial da escrita e tendem a desaparecer no tempo de consolidação das aprendizagens.

REFERÊNCIA: 

RESENDE, Valéria Barbosa de. Escrita espelhada. In: FRADE, Isabel Cristina Alves da Silva; VAL, Maria da Graça Costa; BREGUNCI, Maria das Graças de Castro (orgs.). Glossário Ceale: termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores. Belo Horizonte: UFMG/Faculdade de Educação, 2014.