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quarta-feira, 28 de junho de 2017

QUANDO MEU/MINHA FILHO/A 
VAI LER E ESCREVER?

Resultado de imagem para leitura e escrita


"A alfabetização é como começar a andar: quando vemos um grupo de crianças andando, você não sabe quem andou primeiro. Ler é o mesmo: uns começaram em março, outros em outubro, outros em novembro. Mas quando todos leem, você não sabe quem leu primeiro!”, diz a psicopedagoga Renata Aguillar.

Quando lemos a frase da psicopedagoga, parece simples compreender o processo de alfabetização.

Sabemos que a aprendizagem é diferente para cada criança e o tempo para aquisição da leitura e da escrita não é o mesmo para todos, mas recorrentemente a angústia e/ou ansiedade dos pais se traduz na seguinte pergunta: “quando o meu filho vai ler?” Às vezes, a pergunta transforma-se em um pedido de socorro: “quero que me ajude, pois meu filho não lê e conheço alunos da sala dele que já estão lendo há dois meses! Preocupações compreensíveis e muito comuns.”

É importante que compreendam que existem cinco níveis de alfabetização e a criança está em constante evolução. Quando introduzido no mundo das letras, o aluno não estabelece vínculo entre fala e escrita. Ele usa números e letras na mesma palavra e/ou a representa através de desenhos. Posteriormente, a criança percebe que existe alguma relação entre pronúncia e a escrita, desvinculando a escrita das imagens e os números das letras. Supõe que a escrita representa a fala e, aos poucos, começa a combinar vogais e consoantes na mesma palavra, tornando a leitura sociável, como no exemplo a seguir: CAL que corresponde a CAVALO.

Um dos objetivos do 1º ano é que a criança aprenda a ler e escrever, ou seja, que alcance o nível alfabético e isso acontece quando há a compreensão do modo da construção do código da escrita. O aluno entende que existem letras e que estas representam palavras... Há as consoantes, as vogais e, quando combinadas, se transformam em palavras diferentes e as uniões dessas palavras formam uma frase.

Portanto, no 1º ano, o aluno lê e consegue representar o que leu através da escrita, mas vale ressaltar que esse é um processo construído durante todo o ano letivo.

A escrita, por sua vez, é acompanhada de omissão de vogais ou consoantes, principalmente em palavras mais complexas, como na seguinte frase: “O MENINO VIROL UM LOBO E SEUS AMIGOS SAIU CORREDO”. Percebam que a criança troca o “U” pelo “L”, não escreve o “N” na palavra correNdo e não consegue conjugar o verbo “sair” de forma correta.

A troca de letras também é comum em palavras que possuem sons parecidos, como “CAZA” (casa) e “REZOLVEU” (resolveu).

Todas as trocas e omissões de palavras são normais nessa fase e não caracterizam problema de aprendizagem. Comumente, é no 2º ano que os erros ortográficos diminuem. Diminuirão, o que não significa que desaparecerão!

Com relação ao tempo de aprendizagem de cada criança, a escola está preparada para intervir nos diferentes níveis de alfabetização. Caso seja diagnosticada alguma situação que caracterize déficit ou que precise de mais atenção, os responsáveis serão orientados.

Espero que o texto tenha esclarecido alguns pontos do processo de alfabetização.

Exponham suas dúvidas! Quanto menos ansiosos estiverem com relação ao momento em que seu (sua) filho (a) irá ler e escrever, maior será a possibilidade de serem facilitadores do processo ensino-aprendizagem.

Texto escrito pela Professora Samara Moraes - Turma: 1º ano B

Disponível em: http://altograu.blogspot.com.br/2012/02/texto-sobre-alfabetizacao-para-reuniao.html. Acesso em: 28 jun. 2017.

Imagem disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/1979/alfabetizacao-leitura-e-escrita-em-sala-multisseriada. Acesso em: 28 jun. 2017.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

PEDIDO DE UMA CRIANÇA A SEUS PAIS



Não tenham medo de serem firmes comigo. Prefiro assim. Isto faz com que eu me sinta mais segura. 

Não me estraguem. Sei que não devo ter tudo o que peço. Só estou experimentando vocês.

Não deixem que eu adquira maus hábitos. Dependo de vocês para saber o que é certo, o que é errado.

Não me corrijam com raiva, nem na presença de estranhos. Aprenderei muito mais se me falarem com calma e em particular.

Não me protejam das conseqüências de meus erros. Às vezes eu preciso aprender pelo caminho áspero. 

Não levem muito à sério as minhas pequenas dores. Necessito delas para poder amadurecer. 

Não sejam irritantes ao me corrigirem.
Se assim o fizerem, eu poderei fazer o contrário do que me pedem. 

Não me façam promessas que não poderão cumprir depois. Lembrem-se que isto me deixa profundamente desapontada. 

Não ponham à prova a minha honestidade.
Sou facilmente levada a dizer mentiras.

Não me apresentem um Deus carrancudo e vingativo. Isto me afastaria d'Ele. 

Não desconversem quando faço perguntas, senão serei levado a procurar as respostas na rua todas as vezes que não as tiver em casa. 

Não se mostrem para mim como pessoas infalíveis. Ficarei extremamente chocada quando descobrir um erro de vocês. 

Não digam simplesmente que meus receios e medos são bobos. Ajudem-me a compreendê-los e vencê-los. 

Não digam que não conseguem me controlar.
Eu me julgarei mais forte que vocês.

Não me tratem como uma pessoa sem personalidade. Lembrem-se que eu tenho o meu próprio modo de ser.

Não vivam me apontando os defeitos das pessoas que me cercam. Isto irá criar em mim, mais cedo ou mais tarde, o espírito de intolerância.

Não se esqueçam de que eu gosto de experimentar as coisas por mim mesma. Não queiram ensinar tudo pra mim. 

Não tenham vergonha de dizer que me amam. Eu necessito desse carinho e amor para poder transmiti-lo à vocês e aos outros. 

Não desistam nunca de me ensinarem o bem, mesmo quando eu parecer não estar aprendendo. 
Insistam através do exemplo e, no futuro, vocês verão em mim, o fruto daquilo que plantaram.

Fênix Faustine
Disponível em: http://pensador.uol.com.br/frase/MTY5NzA5/. Acesso em: 18/07/2016.Imagem disponível em: http://anjinhosediabinhos.blogspot.com.br/2008_11_01_archive.html. Acesso em: 18/07/2016.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

LER É TAMBÉM UMA QUESTÃO DE EXEMPLO


Ler é um hábito adquirido principalmente na infância, quando as crianças são incentivadas a ganhar livros com desenhos, sempre muito coloridos, para despertar o interesse e a curiosidade dos pequenos. Porém, o incentivo puro não funciona, pois se os pais não leem para seus filhos enquanto ainda não estão alfabetizados ou não têm eles próprios o hábito de ler, o gosto infantil pela leitura pode se perder.

Foi comprovado por pesquisas que quanto mais cedo a criança tem contato com livros, principalmente se for acompanhado pelos pais, tem melhor capacidade de compreensão, pronuncia das palavra e de comunicação. A literatura infantil é um caminho que leva a criança a desenvolver a imaginação, emoções e sentimentos de forma prazerosa e significativa.

O hábito da leitura ajuda a criança a criar familiaridade com a escrita e a compreensão de texto, facilitando a alfabetização. Ler também é importante porque ajuda a fixar a grafia correta das palavras. Ou seja, quem é acostumado à leitura desde bebezinho se torna muito mais preparado para os estudos, para o trabalho e para a vida.
A leitura é contagiante, então se os filhos se acostumam a ver os pais lendo, quietinhos, imersos num bom livro, com certeza saberão que ler é gostoso e farão o mesmo. Como a criança adora estar na companhia dos adultos, uma boa dica é aproveitar um período do dia e chamar seu filho para junto de você, para lerem uma história infantil ou mesmo alguma matéria de revista relacionada ao mundo deles.

Não existe uma idade ideal para começar a ler para seu filho, que mesmo bebê, já se acostuma a ouvir a história, que mais tarde, ganhará imagens e letras quando ele estiver alfabetizado. Ler em grupo estreita o vínculo familiar, já que as emoções da história são vivenciadas por todos.

Outras pequenas atitudes podem ajudar a incentivar a criança a ler, como deixar os livros sempre ao alcance dos pequenos e ler junto com eles pelo menos uns 20 minutos por dia. Os livros não são objetos sagrados, devem ser folheados, mexidos, até rasgados, pois essa vivência os tornará mais próximos.

Frequente livrarias e bibliotecas, dê livros, gibis e revistas de presente. Empreste livros para os amigos dele, estimule a troca entre eles. Estimule a participação em outras atividades que usem a leitura, como jogos, receitas e mapas.

Quando a criança já estiver alfabetizada, peça para que leia para você, invente histórias, crie outros personagens ou até incentive a criar outros finais para aquele livro favorito, isso estimula a imaginação e é um exercício prazeroso, pois invenções maravilhosas podem surgir e a diversão é garantida.

Brasília - No Dia Nacional do Livro, comemorado hoje (29), a especialista em literatura infantil e escritora Ieda de Oliveira ressaltou que a leitura é um hábito passado essencialmente pelo exemplo. Contar historinhas para as crianças é um bom começo para despertar um leitor ávido por novas e emocionantes narrativas.“A transição entre ouvir as histórias contadas pelos pais e ler as histórias tem que ser uma busca própria da criança." Ela disse ainda que os pais não devem restringir, entre os livros infantis, quais os que os filhos devem ou não ler. “Deixe ele fazer a escolha dele, dentro de um contexto infantil.”

Ieda de Oliveira avalia que atualmente existem muitas opções de boa literatura infantil, que instiga o espírito crítico da criança. “Isso abre portas, influencia muito na formação do indivíduo”, ressaltou. A literatura infantil não serve para, ensinar, empurrar informações”, acentua. "Educar é conduzir. É tratar o leitor como ser inteligente, é orientar a aprendizagem e não adestrar", completou.

"Eu me educo quando leio Guimarães Rosa, eu me educo quando leio Jorge Amado, tanto quanto me educo quando leio Ana Maria Machado. Educo-me ainda diante de uma tela de Renoir ou ouvindo Mozart ou Chico Buarque de Holanda. Quando o artista, por meio de um domínio técnico, conduz o seu leitor para fora de si mesmo, levando-o, pelo prazer estético, a refletir e olhar o mundo a sua volta, estabelecendo novos sentidos, ele o está educando. Cada um trabalhando com sua matéria-prima, que no caso do escritor é a palavra ", ressaltou.

A escritora acredita que o brasileiro está lendo mais. “Não podemos assegurar que o conteúdo é bom, mas está aumentando o número de indivíduos que leem. Estamos vendo um movimento do governo de melhorar o acesso aos livros. Os meios de informação também estão tendo uma função muito importante de difundir a papel que a leitura tem na vida das pessoas.”

Ieda vê nas redes sociais, não uma concorrente da literatura, mas uma forma de divulgação, não só da literatura como de todas as formas de artes. “Um amigo, ou amigo de amigo publica uma resenha, diz que aprecia um quadro, isso chega como um estímulo a mergulhar no mundo das artes”, disse.

 Leia também

Disponível em: http://www.vilamulher.com.br/familia/filhos/para-incentivar-leitura-pais-devem-dar-exemplo-10707.html; http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2012-10-29/leitura-e-um-habito-que-se-adquire-pelo-exemplo-diz-escritora. Acesso em: 24/11/2015. 

Imagem disponível em: http://jornalcorreioeletronico.com.br/geral/por-que-os-pais-devem-ler-para-os-filhos/. Acesso em: 24/11/2015.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

ADOÇÃO: 

PORQUE FAMÍLIA É AMOR


        

Para cada criança na fila de adoção há seis famílias interessadas

Maioria prefere bebês, e 87,42% das crianças aptas a serem adotadas têm mais de cinco anos. Mais: 26,33% dos futuros pais adotivos só aceitam crianças brancas
No último 25 de maio, associações e órgãos do Estado realizaram eventos para lembrar o Dia Nacional da Adoção. Muitos deles incentivavam a chamada adoção tardia, a recepção de crianças de faixa etária mais elevada, o que poderia ajudar a resolver o impasse existente no Brasil: há 5,6 mil crianças precisando de adoção, mas a maioria não se encaixa no perfil desejado pelas mais de 30 mil pessoas querendo adotar.
Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em todo Brasil há 5.624 crianças aptas a serem adotadas. Para cada uma delas há seis adotantes (casais ou pessoas sozinhas) que poderiam ser seus pais (33.633), mas não são. 
De acordo com o juiz Reinaldo Cintra Torres de Carvalho, da Vara da Infância e Juventude do Foro Regional da Lapa, São Paulo, o motivo do descompasso é claro: “os futuros pais têm um sonho adotivo com a criança que irá constituir a família, e a maioria dos pais deseja recém-nascidos de pele clara”. Outros pais desejam especificamente um bebê, e não querem crianças com mais de um ano.
Ocorre que apenas 6% das crianças aptas a serem adotadas têm menos de um ano de idade, enquanto 87,42% têm mais de cinco anos, faixa etária aceita por apenas 11% dos pretendentes. A questão racial também pesa: 67,8% das crianças não são brancas, mas 26,33% dos futuros pais adotivos só aceitam crianças brancas.
A preferência por crianças menores se explica, em parte, pelo desejo de o pai adotivo ter uma experiência considerada completa com a criança. Há dois meses na fila para adotar em São Paulo, Eliane dos Santos de Santana, de 32 anos, espera por uma criança de até um ano de vida e não faz restrições à cor de pele: "Vai ser meu primeiro filho, quero ter a oportunidade de passar por todas as experiências, acordar de madrugada para cuidar dele, ver os primeiros passinhos", diz. 
Alessandra Pereira Paulo, 45 anos, por sua vez, faz parte de uma minoria. Não tem filhos e espera por uma menina que tenha entre 2 anos e meio e 8 anos. Para ela, uma criança maior se adaptaria melhor ao seu ritmo de vida. "Já que eu tenho disponibilidade em adotar uma criança mais velha, por que não, já que tem tanta criança grande nos abrigos?".
Ela também conta que acha interessante o fato de a criança mais velha já saber conversar e contar sua história. "Eu participaria mais da vida dela e ela da minha. Seria uma adoção mútua: eu adoto ela como filha e ela me adota como mãe. Um bebê não teria isso, encaixaria em outro sonho, mas não no meu, e é importante a pessoa ser honesta com o que quer".
O perfil das crianças na fila da adoção pode ser explicado por sua origem. A maior parte delas vem de setores vulneráveis da sociedade. Segundo Carvalho, os principais motivos que levam famílias a perderem seus menores são a negligência, o abandono e a violência física e sexual. 
Crack e HIV
Suely Apparecida Gracia, diretora do Grupo Assistencial Alvorada Nova, em Pirituba, zona oeste de São Paulo, que fundou há 19 anos, nota uma peculiaridade: “dos 15 bebês que tenho aqui, todos vieram por causa das drogas e tem sido assim há alguns anos, tanto que nos especializamos em cuidar de prematuros, já que as mães usuárias de drogas, principalmente crack, não conseguem levar a gestação até o fim”. 
O juiz Torres de Carvalho, da Vara da Infância e Juventude, explica que, apesar de as drogas não constarem dentre os principais motivos, o uso delas constitui um fato originário: “Essas famílias não conseguem cuidar dos filhos, o que leva à negligência”.
Nem sempre os problemas estão concentrados nos pais das crianças. Muitas vezes a família inteira tem dificuldades. Um hospital, ao perceber que a genitora não tem condições de exercer a maternidade, aciona um assistente social para procurar alguém da família para se responsabilizar pela mãe e pelo bebê. Segundo Gracia, sempre se tenta encontrar a família dos pequenos, quase sempre em vão. “Normalmente não encontramos os pais, mas nos deparamos com os avós, também drogados. Então não deixamos o bebê com eles, senão a situação vai continuar. Assim, percebo que é um problema que vem de longe”.
Este cenário cria, para algumas crianças, uma dificuldade a mais: a infecção pelo vírus HIV. Das 250 crianças que já passaram pelo abrigo de Gracia, apenas cinco eram portadoras do vírus, e quatro conseguiram negativá-lo graças a medicamentos tomados logo após o nascimento. Ainda assim, há 92 crianças com o vírus da Aids na fila geral de adoção do Brasil.
O cenário, no entanto, não é de todo negativo. Segundo Carvalho, as campanhas pela adoção tardia têm feito crianças mais velhas e seus irmãos serem adotados com menos dificuldades. “Acredito que as pessoas precisam começar a pensar com mais amplitude para que os preconceitos sejam em menor número e intensidade", afirma Carvalho. "Uma criança mais velha precisa de uma família tanto quanto um recém-nascido. Se as pessoas acordarem para isso, tenho certeza de que serão felizes como pais adotivos”, diz.
PASSO A PASSO PARA ADOTAR

Quem pode ser adotado

  • a) Crianças ou adolescentes com, no máximo, 18 anos de idade à data do pedido de adoção e independentemente da situação jurídica;
  • b) Pessoa maior de 18 anos que já estivesse sob a guarda ou tutela dos adotantes;
  • c) Maiores de 18 anos, nos termos do Código Civil.

Quem pode adotar

  • a) Homem ou mulher maior de idade, qualquer que seja o estado civil e desde que 16 anos mais velho do que o adotando;
  • b) Os cônjuges ou concubinos, em conjunto, desde que sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família;
  • c) Os divorciados ou separados judicialmente, em conjunto, desde que acordem sobre a guarda e o regime de visitas e desde que o estágio de convivência tenha sido iniciado na constância da sociedade conjugal;
  • d) Tutor ou curador, desde que encerrada e quitada a administração dos bens do pupilo ou curatelado;
  • e) Requerente da adoção falecido no curso do processo, antes de prolatada a sentença e desde que tenha manifestado sua vontade em vida;
  • f) Família estrangeira residente ou domiciliada fora do Brasil;
  • g) Todas as pessoas que tiverem sua habilitação deferida, e inscritas no Cadastro de Adoção.

Não podem adotar

  • a) Avós ou irmãos do adotado;
  • b) Adotantes cuja diferença de idade seja inferior a 16 anos do adotando.
ADOÇÃO, UM ATO DE AMOR

É o amor que move o desejo de adotar, que dá a certeza de que aquela criança precisa de você, que dá paciência para aguardar as decisões jurídicas e promove este encontro que é para toda a vida. 
Eliana Aparecida está casada há 21 anos com o piloto agrícola Francisco de Moura. É jornalista, mas abandonou a profissão em nome de outro lindo projeto: Vinícius. A opção de Eliana, radical a princípio, tem bases mais profundas porque até a chegada do filho, ela conheceu de perto a espera, a ansiedade, a frustração, a cobrança, o desgaste... Palavras usadas por ela mesma no depoimento a seguir. Mas não é um depoimento triste. Eliana é o tema de Vida de Mãe por seu exemplo de otimismo, garra e amor. Entrevistamos também o psiquiatra e psicanalista, Luiz Alberto Py, que alerta que a criança deve saber que foi adotada: "Não deixem de contar a ela e explicá-la o que significa adoção". 
Vamos conhecer, então, a história de Eliana e Francisco, o encontro com Vinícius e a formação dessa nova família.
As tentativas
"Casei com 18 anos e nunca tomei anticoncepcional. Queria engravidar logo. Um ano depois, sem conseguir, resolvi procurar os médicos e os exames começaram. Desde ultra-som para ver se o útero estava normal a dosagens hormonais, enfim, exames em geral. Para meu marido foi indicado o exame de espermograma. Nada detectado. Os médicos diziam que era só ansiedade. Os anos foram passando e nós não desistíamos. Trocávamos de médicos; fazíamos todos os exames e nada. Durante esse período tomei muitos hormônios para aumentar a ovulação e as chances de engravidar. Nada dava certo. Engordei 8 quilos; vivia frustrada porque não conseguia engravidar e ainda tinha a cobrança da família e dos amigos".
Ansiedade
"Cheguei a montar um enxoval completo. Cada exame que fazia achava que iria engravidar. O tratamento é tão desgastante, financeiramente e emocionalmente, que algumas vezes pensávamos em parar com tudo. Chegávamos a pensar que estávamos perdendo tempo, mas continuávamos atrás de médicos e exames. Isso durou 10 anos. Fiz indução de ovulação, inseminação artificial e uma tentativa de fertilização in vitro. Tudo sem sucesso. E os médicos diziam que não havia motivo aparente para que a gravidez não acontecesse".
A decisão
"Frustrada e totalmente desgastada com tantas tentativas sem sucesso, eu e meu marido falamos em adoção. Quando éramos namorados já havíamos pensado no assunto, mas pensei em adotar depois que tivesse gerado meu filho. Com o tempo mudei de idéia. A gravidez não aconteceu e tínhamos muita vontade de sermos pais. Por que não adotar? Em 2000 entramos com o pedido de adoção. Quando fomos chamados não acreditei. Nunca minha barriga doeu tanto! Era medo misturado com alegria... A assistente social disse pelo telefone que era um menino de um ano; era mulato e tinha problema. Fomos buscá-lo".
O primeiro encontro
"Vimos no berço da instituição o menininho que, segundo a assistente social, estava pronto para ser adotado. Ele tinha um ano e uma semana, mas tinha o tamanho de uma criança de cinco meses. Desnutrido, com bronquite e infecção na garganta, ele só olhava para baixo, para seus pés, e não ria quando fazíamos cócegas nele. Estava no berço com mais duas crianças. Uma menina que aguardava o tratamento de seus pais agressores e outra com gesso no braço quebrado pelo pai. Foi impressionante ver os olhinhos das crianças pedindo carinho. E que sensação maravilhosa segurá-lo pela primeira vez. Pensei: 'agora ninguém tira ele de mim".
A adaptação
"Tão pequeno e tão frágil. Quando chegamos em casa, ele dormiu por quinze horas seguidas. Quando acordou chorava e não deixava que  a gente o segurasse. Com paciência, carinho e, sobretudo amor, fomos cuidando dele, correndo contra o tempo para evitar que sua desnutrição comprometesse seu desenvolvimento. A família ficou feliz. Os amigos visitavam e nos davam conselhos. Que emoção ver meu marido chegando com as roupinhas, o primeiro sapatinho, os primeiros brinquedos... Nosso sonho se realizando... Devagar ele passou a confiar em nós e cuidar dele me fez a mulher mais feliz desse mundo. Ele foi crescendo, se desenvolvendo e hoje está com sete anos e três meses. Lindo, forte, inteligente, sensível, carinhoso, solidário e o maior presente que recebemos nessa vida!"
Luiz Eduardo Py - psicólogo e psiquiatra
"Adotar uma criança é a melhor maneira de lidar com a ansiedade e a frustração de não conseguir engravidar. O casal está se confrontando com uma limitação real (que pode ser da mulher ou do homem). Existem muito recursos clínicos e não podemos perder de vista as possibilidades que a medicina oferece. Só depois de se deparar com a total impossibilidade deve-se partir para a adoção. E quando isso acontecer, toda a questão emocional em torno dessa impossibilidade deve estar bem trabalhada. Todo processo de adoção conta com uma assistente social que vai atuar junto ao casal desde o processo de escolha, ao primeiro encontro da nova família e à adaptação. Não devemos ficar ansiosos durante o processo, pois podemos confiar neste serviço. Adoção é muito mais dar do que receber. Adotamos para cuidar de uma criança. A motivação tem que ser de generosidade. A adoção é um gesto muito bonito porque é uma doação. E o mais importante: a criança precisa logo saber que foi adotada. Não deixem de informá-la na primeira oportunidade, explicando a ela o que é adoção".
ESCLARECIMENTOS SOBRE A ADOÇÃO
Preconceitos ainda existem
Apesar dos avanços em relação à adoção, algumas características como a idade e cor da criança ou o fato de ser adolescente ainda são um grande impasse na hora da escolha.
Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem 4.427 crianças e adolescentes inscritas no Cadastro Nacional de Adoção. Dentre elas, 33,86% são brancas, 19,11% são negras, 0,54% amarelas, 45,74% pardas e 0,75% indígenas. O problema se encontra na distribuição em relação à preferência dos pais na hora de adotar. Quanto à cor, 37,94% somente adotam crianças brancas, 2,1% negras, 1,29% amarelas, 5,90% pardas e 1,28% indígenas. A diferença também acontece quando o assunto é idade: 75% dos pais preferem as crianças até três anos para adotar.
Segundo Soraya Pereira, Presidente do Projeto Aconchego, existe a falsa ideia de que cuidar de bebês é mais fácil, porque será possível moldar desde cedo. "Isso não é verdade, afinal, todos os pais terão problemas com os filhos e deverão ser firmes na educação, independente da idade e se são ou não biológicos", afirma.

Filhos Especiais
Se algumas mães procuram verdadeiras “barbies” para adotar, outras não se importam se quer se a criança tem alguma deficiência. Rosana e seu marido, Martins Alves da Conceição, de 50 anos, adotaram Ruan, um menino com problemas de coordenação motora por paralisia cerebral. Já tinham uma casa cheia, com três filhos biológicos e dois adotivos. Mesmo assim, queriam mais. "Adotei Ruan para dar a ele uma vida melhor, mas sei que nunca será uma criança normal", explica Rosana. Segundo os médicos, talvez Ruan nunca aprenda a andar. "Fiquei apaixonada por ele quando visitei o abrigo. O fato de ter uma deficiência não faz diferença alguma para mim", diz Rosana. Da mesma forma, Rosana conta que foi buscar o Rafael na Bahia. “Eu e meu ex-marido não sabíamos o que ele tinha, somente que havia algo que não era normal. Quando o levei ao médico, descobri que tinha paralisia cerebral. Hoje, ele vai todos os dias à escola especial e faz fisioterapia, fono, terapia ocupacional e hidroterapia. Temos de aprender a conviver com a realidade deles", diz a mãe.
Corações famosos
No Brasil, há uma lista imensa de mulheres famosas que adotaram crianças, entre elas, Glória Maria, Astrid Fontenelle, Elba Ramalho, Mônica Torres, Drica Moraes, entre outras. Apesar de o processo de adoção no Brasil ser algo penoso, lento e desgastante, quem decide adotar se sobrepõe a qualquer obstáculo e de fato essas mulheres se tornam verdadeiras leoas para defender sua prole. Uma dessas leoas é a jornalista Glória Maria, que adotou logo de cara duas meninas: Maria, de 2 anos e 3 meses e Laura, 1 ano e 3 meses. Quem também enveredou pelo caminho da adoção para ter um filho tão desejado e mostra que amor de mãe não depende de gestação foi a apresentadora de TV Astrid Fontenelle, que adotou  Gabriel."Entendem agora o motivo de tanta felicidade? Gabriel é meu filho! Querido, desejado, sonhado e amado! Agora sim, eu tenho uma família... que, para sempre, incondicionalmente eu vou amar", disse Astrid na époça da adoção. A cantora Elba Ramalho, embora já tivesse um filho fruto de seu casamento com Mauricio Mattar, o Luã, adotou três meninas: Maria Clara, Maria Esperança e Maria Paula.
No cenário internacional, a prática da adoção já é bem comum, principalmente entre as estrelas de Hollywood que se encantam com crianças de países mais pobres durante gravações de algum filme. Angelina Jolie, Sandra Bullock, Madonna, Meg Ryan, Nicole Kidman são algumas dessas celebridades que adotaram crianças mundo afora. Mas quem ainda está no topo em número de adoções é a atriz Mia Farrow, que adotou 10 de seus 14 filhos no exterior.

Procedimentos para adoção
Vá até o Fórum de sua Comarca, com seu RG e um comprovante de residência.

A Vara agendará uma entrevista para a data que o setor técnico do Fórum tiver disponível. Neste momento você receberá a lista dos documentos que a Vara precisará para dar continuidade ao seu processo. Esses documentos variam de Vara para Vara, mas geralmente são:

- O modelo do requerimento de inscrição que será fornecido pelas Varas da Infância e da Juventude, e será preenchido pelo próprio requerente e protocolado no cartório da infância e juventude acompanhado de documentos que podem ser apresentados em seu original, por cópia autenticada ou simples.
No caso de serem apresentadas cópias simples, estas deverão ser conferidas pela serventia frente aos originais e tal circunstância ser certificada. Os documentos a serem apresentados são os seguintes:

1 - cópia dos documentos pessoais dos requerentes (Carteira de Identidade, Cadastro de Identificação do Contribuinte, Certidão de Casamento, se casado, ou Certidão de Nascimento, se solteiro, sendo que as certidões deverão ser de expedição recente);

a - comprovante de residência (conta de luz, telefone, energia elétrica, correspondência bancária ou de cartão de crédito, etc.);

b - comprovante de rendimentos, ou declaração equivalente (holerite, declaração do imposto de renda, declaração do empregador em papel timbrado ou com firma reconhecida, etc.);

c - atestado ou declaração médica de sanidade física e mental;

d - fotografia(s) do(s) pretendente(s) e de sua residência (parte externa e interna).

2 - Registrado e autuado o requerimento e certificada a juntada de todos os documentos, deverá o juízo requisitar certidão do distribuidor forense cível e criminal, juntando-as aos autos. Caso o requerente resida na comarca há menos de 10 anos, deverá ser requisitada certidão junto ao distribuidor de seu anterior domicílio, isso enquanto não estejam integrados no Estado os dados de distribuição por meio eletrônico;

3 - Devidamente instruídos os autos, serão eles remetidos ao Setor Técnico para o agendamento de entrevista(s) por Assistentes Sociais e/ou Psicólogos, que cuidarão da intimação telefônica do pretendente;

4 - encerrada a avaliação técnica por meio de parecer (es) conclusivo (s), terá o Ministério Público vista dos autos;

5 - após, deverá ser decidido o pedido de habilitação, por sentença, para inclusão dos requerentes no cadastro da vara e comunicação à CEJAI para inclusão no cadastro estadual.

Quem pode adotar - Conforme a Lei 8.069, de 13/07/90

Maiores de 21 anos, qualquer que seja seu estado civil (com o novo código 18 anos)
O adotante deve ser 16 anos mais velho do que o adotado.

Quem não pode adotar
Avós e irmãos, estes podem requerer somente a guarda.

Quem pode ser adotado
A criança ou adolescente com, no máximo, 18 anos de idade, à data do pedido de adoção.
Pessoa maior de 18 anos que já estivesse sob a guarda ou tutela do adotante à data do pedido da adoção.

Informações úteis sobre adoção

- Ela é irrevogável. Uma vez concedida a adoção e oficializada com certidão de nascimento, os pais adotivos não podem mais devolver o filho nem perdê-lo por conta da reivindicação de pais biológicos. Porém, pais adotivos abusivos e/ou negligentes poderão também perder o "poder familiar" de seus filhos adotivos.
- Garante igualdade de direitos e deveres, salvo os impedimentos matrimoniais.
- Garante a plenitude dos direitos sucessórios.

Licença-Maternidade

Lei nº 10.421, de 15/04/2002 - Art. 71-A. À segurada da Previdência Social que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança é devido salário-maternidade pelo período de 120 (cento e vinte) dias, se a criança tiver até 1 (um) ano de idade, de 60 (sessenta) dias, se a criança tiver entre 1 (um) e 4 (quatro) anos de idade, e de 30 (trinta) dias, se a criança tiver de 4 (quatro) a 8 (oito) anos de idade.

Disponível em: http://www.portaladocao.com.br/passo-a-passo/; http://www.cartacapital.com.br/sociedade/para-cada-crianca-na-fila-de-adocao-ha-quase-seis-pais-possiveis-2498.html; http://guiadobebe.uol.com.br/adocao-e-doacao-um-ato-de-amor/; http://www.revistatudo.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=98:por-que-adotar&catid=50:especial-maes; http://www.brasilpost.com.br/2014/05/25/adocao-tardia_n_5383353.html. Acesso em: 08/09/2015.
Imagens disponíveis em: http://www.f5news.com.br/608_enquanto-10-criancas-aguardam-adocao-131-familias-esperam-o-filho-certo.html; http://www.apeoesp.org.br/hotsite/adocao/adocaocomp.html; http://blogs.ne10.uol.com.br/social1/tag/adocao/; http://www.senado.gov.br/noticias/Jornal/emdiscussao/adocao/realidade-brasileira-sobre-adocao.aspx; http://www.roteirobaby.com.br/2014/05/25-de-maio-dia-nacional-da-adocao.html; http://www.cruzeirodovale.com.br/?grupo-de-apoioa-a-adocao-promove-encontro-nesta-sexta-feira&ctd=12126; http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL1083306-9798,00-NA+TENTATIVA+DE+CONSEGUIR+ADOCAO+MADONNA+DIVULGA+FOTO+SUA+COM+MERCY.html; http://www.defensoria.rs.gov.br/conteudo/23446; http://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/2012/05/campanha-vai-promover-o-incentivo-a-adocao-de-criancas-maiores-de-tres-anos-na-serra.html; http://pioneiro.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2013/05/caxias-do-sul-tem-22-criancas-e-adolescentes-que-aguardam-por-uma-nova-familia-4148758.html. Acesso em: 08/09/2015.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

COMO AJUDAR OS/AS FILHOS/AS 
NO DEVER DE CASA? 


Os pais devem ajudar a fazer a lição de casa?

"Os pais devem participar da vida escolar, sem dúvida. É importante conversar sobre o que os estudantes aprenderam na escola, fazer uma leitura conjunta do jornal, demonstrar curiosidade em relação à rotina de estudos. Eles podem, inclusive, ajudar a tirar dúvidas se tiverem prazer nisso, mas não devem fazer os exercícios pelo filho", diz Cleuza Vilas Boas Bourgogne, da Escola Móbile. Ou seja, os pais podem ajudar, sim. Mas é importante que não atravessem a criança. A lição de casa é, sobretudo, um exercício que o aluno deve fazer sozinho, justamente para que os professores descubram quais são as suas dificuldades.

Como os pais podem ajudar sem prejudicar a aprendizagem do/a filho/a?

O segredo é ajudar sem oferecer respostas prontas. Um exemplo: quando a criança não sabe a grafia de uma palavra, os pais podem orientá-la a buscar a palavra no dicionário, mas nunca dizer imediatamente o que ela significa. Outras atitudes que podem ajudar o filho sem comprometer o aprendizado são levá-lo até uma biblioteca ou orientar uma pesquisa na internet. O mais importante é mesmo acompanhar, saber se a lição está sendo feita ou se o filho está tendo problemas. Também é interessante incentivar o aprendizado. Se a criança está estudando os diferentes tipos de árvores, uma boa ideia é levá-la a um parque para observar a vegetação. "Os adultos não estão proibidos de compartilhar o conhecimento com as crianças, mas também não devem sentir-se obrigados a fazê-lo. O ideal é que os pais não façam pela criança aquilo que ela tem condições de realizar sozinha, mesmo que o produto não corresponda à expectativa dos adultos", orienta Eliane Palermo Romano, da Escola Comunitária de Campinas.

É preciso criar uma rotina para a lição de casa?

Sim, a rotina é importante para que a criança e o adolescente se organizem. Como a criança ainda não é capaz de estabelecer uma rotina sozinha - ela não tem autonomia para organizar o seu dia e os seus compromissos, lidar com horários, distribuir o tempo para brincar, fazer a lição, tomar banho, se alimentar - ela precisa da ajuda dos pais nesse processo. "Os pais podem organizar um horário com a criança e ter controle sobre o seu cumprimento", afirma Eliane Palermo Romano, da Escola Comunitária de Campinas. O adolescente, porém, já tem uma capacidade maior de organização, e pode estabelecer uma rotina sozinho - ainda assim é sempre importante o monitoramento dos pais e, em caso de dificuldade, a ajuda.

Como agir quando o/a filho/a não quer fazer a lição de casa?

O primeiro passo é identificar o problema. Não conseguir terminar toda a lição ou negar-se a fazê-la pode ser, por exemplo, um reflexo do excesso de atividades da criança ou do adolescente. Mas é importante também conversar com a escola para tentar descobrir se o aluno tem algum problema de aprendizado. "No entanto, independentemente do tipo de problema que o aluno está tendo, é muito importante que ele entenda o valor coletivo da lição. Se um estudante deixa de fazer os exercícios que a professora propõe para casa, a classe inteira pode ser prejudicada", diz Cleuza Vilas Boas Bourgogne, da Escola Móbile.

Como agir quando o/a filho/a tem dificuldades para fazer o dever de casa?

Assim como nos casos em que a criança ou adolescente não quer fazer a lição, o primeiro passo é tentar entender por que o filho tem dificuldade ou pede ajuda constantemente ao fazer os exercícios propostos para casa. Estabelecer uma parceria com a escola para identificar o problema é parte importante desse processo. Pedir muita ajuda na hora de fazer a lição pode ser uma tentativa de chamar a atenção dos pais, por exemplo. "Os motivos poderão ser diversos e, assim, merecer tratamento diverso. Mas é importante salientar que o aluno não deve ter a opção de não fazer a lição. Se tiver dificuldade, deve ser orientado a levar as dúvidas para a professora, para que, em classe, consiga resolvê-las", afirma Eliane Palermo Romano, da Escola Comunitária de Campinas.

O que o/a professor/a percebe com a lição de casa?

"A principal função da lição de casa é justamente complementar o trabalho do professor em sala de aula", explica Luciana Fevorini, do Colégio Equipe. Por meio da lição, o professor pode verificar quais são as principais dificuldades individuais e coletivas dos alunos. Quando um conteúdo não é bem aprendido, os conteúdos seguintes podem ficar prejudicados. Portanto, analisar a lição de casa dos alunos é uma forma de fazer uma "recuperação" diária, trabalhando os pontos em que os estudantes apresentam mais dificuldades. Além disso, no caso da lição preparatória, ele pode fazer um apanhado dos conhecimentos prévios da turma sobre determinado assunto, para decidir qual é a melhor forma de introduzir um novo tema.

O que os pais podem ver por meio da tarefa de casa?

Além de ajudar o trabalho do professor, a lição de casa é uma maneira de os pais saberem o que vem sendo ensinado na escola. Acompanhando as tarefas, é possível saber o que o filho está aprendendo, em que disciplinas ele tem mais dificuldades e se precisa ou não de aulas de reforço. Mas atenção: acompanhar não significa fazer a lição. Ajudar o filho eventualmente é saudável, mas é errado resolver as questões por ele. E é importante não se intimidar diante de conteúdos desconhecidos. Nesses casos, o melhor é ser sincero, explicar ao filho que não sabe ou não lembra da matéria e fazer uma pesquisa conjunta. "A hora de fazer a lição de casa também pode ser um momento de compartilhar dúvidas", diz Cleuza Vilas Boas Bourgogne, da Escola Móbile.

O VALOR DAS TAREFAS ESCOLARES:


A atitude positiva dos pais diante das tarefas escolares ajuda as crianças a cumprir suas obrigações de forma natural.
1. Aprendizagem. É importante que os pais reconheçam o valor dos deveres na aprendizagem e tenham paciência para ajudar seus filhos.
2. Responsabilidade. Os pais devem enfrentar de maneira positiva a necessidade de fazer os deveres com as crianças como uma obrigação e como um benefício para eles.
3. Hábitos e rotinas. Depois do colégio e da merenda, fixe uma hora para começar a fazer os deveres e demonstre firmeza. Seu filho deve saber que pode fazer consultas ou perguntar a você algo que não entenda.
4. Marque horários. Aproveitar melhor o tempo é fundamental para evitar que seu filho demore muito na execução das tarefas. Assim, os deveres não lhe parecerão enfadonhos.
5. Estímulos positivos. Mostre quão importante é cumprir os deveres, mas de uma forma positiva.

Como ajudar as crianças com seus deveres

Motivar as crianças dia a dia na aquisição de conhecimentos é uma tarefa imprescindível para que as tarefas escolares não se tornem em algo chato, que cause rejeição a elas.
1. Materiais. Seu filho deve dispor de materiais como papel, lápis, borracha e um dicionário para fazer seus deveres do colégio. Você dever estar atento para ver se necessita de vez em quando algo especial.
2. Leitura. Aproveite para ler quando seu filho estiver fazendo os deveres. Desse modo poderá prestar atenção quando ele necessitar de alguma coisa, e estará dando um bom exemplo a ele.
3. Ajuda. Quando seu filho lhe pedir orientação, oriente-o, mas não lhe dê a resposta. Se você der a ele tudo feito, ele aprenderá que quando tiver alguma dificuldade você solucionará todo o problema para ele.
4. Interesse. Demonstre interesse em colaborar nos seus deveres e dê importância na realização de suas tarefas.
5. Contato. O acompanhamento e as reuniões com os professores mantém o contato entre os pais, filhos e mestres. Assim poderá compartilhar as tarefas e dar melhor seguimento dos seus filhos nos estudos.
6. Organização. Estabeleça com seu filho quais são as tarefas fáceis e difíceis em função das suas preferências. Oriente-o para que faça primeiro as mais difíceis, deixando as mais fáceis para quando estiver mais cansado.
7. Descansos. Quando notar que seu filho está cansado, proponha um descanso de dez minutos. Assim poderá voltar com mais concentração aos deveres.
8. Prêmios. Premie seu filho pelo seu esforço, dedicação e pelo cumprimento dos seus deveres semanais. Uma sessão de cinema, um passeio, uma pizza ou uma excursão ao zoológico ou a um museu são algumas opções que vão encantá-lo.
9. Ânimo. Busque sempre o positivo e evite as críticas. Se a criança se sente frustrada e incapaz, sua dificuldade aumentará e perderá o interesse de superação. Os deveres vão se converter em um pesadelo.
10. Correção. Revise os deveres e se assegure de que o trabalho está completo e correto. É uma forma simples de demonstrar que você está interessado em saber como andam as coisas.

Qual é a importância do dever de casa na vida da criança?
– Estabelece uma rotina de estudo.
– Possibilita um momento de estudo individual favorecendo o pensamento reflexivo.
– Provoca a independência de estudar sem estar na sala de aula.
– Viabiliza o desenvolvimento de habilidade e técnicas pessoais de estudo.
– Propicia a organização pessoal e o ritmo e disciplina de estudo.
– Ajuda a fixar e aprofundar os conteúdos.
De todas as funções do dever de casa as duas que mais gosto e acho fundamental para a vida escolar da criança são: desenvolver a autonomia da criança para desenvolver suas atividades sozinha e fixar o conteúdo de sala de aula.

Dicas para deixar a lição de casa mais agradável:

  • Converse com a criança fazendo-a entender que a lição de casa é responsabilidade dela
  • Organize um local apropriado: escritório ou quarto, com escrivaninha, iluminação adequada e, se possível, um ambiente sem ruídos para que facilite a concentração
  • Não sente ao lado do filho, explicando caso haja dúvidas, ele poderá procurá-la (tirar dúvida não é dizer como a lição deve ser feita!)
  • Não permita que a criança demore para realizar algo que deveria ser concluído em pouco tempo. Nesse caso, é importante que as dúvidas apareçam para que a professora possa realizar as intervenções corretas
  • Não pontue quais são os erros. Eles fazem parte do processo de correção com a professora. Caso perceba que se trata de um erro por falta de atenção, atente-o para que reveja determinado item
  • É importante contribuir com matérias, entrevistas, histórias da família, entre outros, para as atividades que a escola solicitar.

ANTES:

1. Entenda seu filho 

Uma grande ajuda na hora da lição de casa é saber o que motiva e o que desanima seu filho. Por exemplo, será que ele gosta que você fique por perto ou prefere privacidade? Será que você precisa que você ajude-o a organizar por qual matéria começar ou ele quer decidir isso sozinho? 



2.Defina as regras em comum acordo 
Converse com seu filho e estabeleçam - juntos - como será a rotina para a lição. Onde será feita, em qual horário, etc. Deixe que ele explique suas preferências e seja flexível. Por exemplo: ele não quer perder o programa de TV favorito. Ajustem o horário de modo que ele tenha este direito garantido. Direito que ele perde se não terminar a tarefa a tempo (caso o combinado seja fazer antes) ou se não desligar a TV logo depois (para ir logo se dedicar à lição). 
Lembre-se: o ideal é não alterar a rotina, mas, se for o caso, explique o motivo da mudança. 



3. Organize o lugar 
Escolham - juntos - o local onde a lição será feita. Mas garanta que ele esteja arrumado e limpo na hora combinada. Se for a mesa da cozinha, por exemplo, nada de alimentos ou pratos na hora da lição, hein? 
Lembre-se: o bem-estar é superimportante. Verifique a temperatura do ambiente, a iluminação, a ventilação. Quanto mais confortável ele estiver, melhor! 



4. Acabe com a distração 
Desligue a televisão e o rádio e tente eliminar - ou diminuir -outros sons que atrapalhem a concentração. Ajude seu filho a se concentrar na tarefa! 



5. Fique de olho na disposição dele 
Na hora da lição, seu filho precisa estar bem disposto. Ou seja: não pode estar cansado, com fome, irritado, distraído... O melhor neste caso é resolver o problema primeiro. E isso vale para você também! Resolva essas questões antes de começar! 



6. Confira se todo o material necessário está disponível 
Parar a lição para procurar onde está o lápis de cor, a régua ou o dicionário só ajuda a tirar o foco da tarefa. Organize tudo antes de começar para não haver dispersão!

DURANTE:

7. Respeite o momento 

Todos em casa devem saber que a lição está sendo feita e contribuir, evitando interrupções, barulhos desnecessários ou ações que tirem a concentração e o foco de quem está estudando. 



8. Veja se seu filho sabe o que é para ser feito 
Pergunte se ele tem dúvidas sobre o que o professor pediu para fazer e coloque-se à disposição para ajudá-lo. 



9. Auxilie em caso de dúvidas 
Se seu filho tiver uma dúvida, ajude-o. Mas não responda por ele. Sugira que ele procure exemplos parecidos no livro ou no caderno, ou então, ajude-o a pensar sobre o assunto até que ele chegue à sua própria conclusão. 



10. Ocupe-se com coisas parecidas 
Enquanto ele faz contas, que tal dar uma olhada no orçamento? Se ele vai produzir um texto, aproveite para fazer alguma anotação. O ideal é não parecer que se está fazendo algo mais interessante do que ele - como jogar no computador, por exemplo, ou ver TV. 



11. Incentive-o a rever a lição 
Olhar a lição de novo depois de terminada é uma boa prática. Se ele pedir para você rever com ele, valorize o esforço e não aponte diretamente os erros. Caso encontre coisas incorretas e perceba que ele tem condição de localizar o erro, estimule-o comentando. "Que tal rever este trecho ou esta conta, veja se está tudo certo ou se encontra algo errado?". Elogie-a se ele encontrar o problema e jamais brigue se isso não ocorrer.

DEPOIS:

12. Veja se a lição foi corrigida 

Será que a lição de casa foi corrigida? A falta de correção da lição pode desestimular seu filho. Afinal, ele pode entender que de nada valeu tanto esforço. Caso isso se repita sempre, é interessante conversar na escola - com o professor ou com o coordenador. 



13. Elogie os acertos e não aponte os erros 
Seu filho acertou todos os exercícios da lição passada? Ele merece que você lhe dê parabéns! Mas se errou muitos, nada de briga. Pergunte se, com a correção do professor ele entendeu porque errou. Se a resposta for negativa, estimule-o a tirar dúvidas diretamente com o professor. E acompanhe. 



14. Informe o professor em caso de dificuldade 
Seu filho deveria ter condição total de fazer a lição de casa sem achá-la muito difícil ou complicada. Afinal, se a lição foi passada, é porque o professor já explicou aquele conteúdo. Às vezes pode ser apenas uma dificuldade pontual e neste caso, estimule seu filho a tirar dúvidas com o professor. Caso isto se torne frequente, o melhor é ir até a escola para identificar onde está o problema.

"As funções da lição de casa são sistematizar o aprendizado da sala de aula, preparar para novos conteúdos e aprofundar os conhecimentos", explica Luciana Fevorini, coordenadora de ensino fundamental II do Colégio Equipe, em São Paulo. "Analisando os exercícios que os alunos resolvem sozinhos em casa, o professor pode descobrir quais são as dúvidas de cada um e trabalhar novamente os pontos em que eles apresentam mais dificuldades." 


"O grande desafio do professor é fazer com que o aluno consiga atribuir significado à lição de casa", diz Eliane Palermo Romano, coordenadora pedagógica da Escola Comunitária de Campinas. "O aluno precisa perceber a função das tarefas para que compreenda sua importância", reitera Cleuza Vilas Boas Bourgogne, diretora pedagógica da Escola Móbile, de São Paulo. 

Disponível em: 
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/como-ajudar-seu-filho-licao-casa-700436.shtml; http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/licao-de-casa-547565.shtml; http://br.guiainfantil.com/materias/educacao/escolacomo-ajudar-seu-filho-com-os-deveres-da-escola/; http://dicaspaisefilhos.com.br/bebes-e-criancas/educacao/dever-de-casa-ajudar-ou-nao/; http://www.bolsademulher.com/familia/dicas-para-ajudar-na-licao-de-casa. Acesso em: 01/09/2015.

Imagem disponível em: http://www.institutoprobem.org.br/blog/dever-de-casa/. Acesso em: 01/09/2015.