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segunda-feira, 18 de julho de 2016

PEDIDO DE UMA CRIANÇA A SEUS PAIS



Não tenham medo de serem firmes comigo. Prefiro assim. Isto faz com que eu me sinta mais segura. 

Não me estraguem. Sei que não devo ter tudo o que peço. Só estou experimentando vocês.

Não deixem que eu adquira maus hábitos. Dependo de vocês para saber o que é certo, o que é errado.

Não me corrijam com raiva, nem na presença de estranhos. Aprenderei muito mais se me falarem com calma e em particular.

Não me protejam das conseqüências de meus erros. Às vezes eu preciso aprender pelo caminho áspero. 

Não levem muito à sério as minhas pequenas dores. Necessito delas para poder amadurecer. 

Não sejam irritantes ao me corrigirem.
Se assim o fizerem, eu poderei fazer o contrário do que me pedem. 

Não me façam promessas que não poderão cumprir depois. Lembrem-se que isto me deixa profundamente desapontada. 

Não ponham à prova a minha honestidade.
Sou facilmente levada a dizer mentiras.

Não me apresentem um Deus carrancudo e vingativo. Isto me afastaria d'Ele. 

Não desconversem quando faço perguntas, senão serei levado a procurar as respostas na rua todas as vezes que não as tiver em casa. 

Não se mostrem para mim como pessoas infalíveis. Ficarei extremamente chocada quando descobrir um erro de vocês. 

Não digam simplesmente que meus receios e medos são bobos. Ajudem-me a compreendê-los e vencê-los. 

Não digam que não conseguem me controlar.
Eu me julgarei mais forte que vocês.

Não me tratem como uma pessoa sem personalidade. Lembrem-se que eu tenho o meu próprio modo de ser.

Não vivam me apontando os defeitos das pessoas que me cercam. Isto irá criar em mim, mais cedo ou mais tarde, o espírito de intolerância.

Não se esqueçam de que eu gosto de experimentar as coisas por mim mesma. Não queiram ensinar tudo pra mim. 

Não tenham vergonha de dizer que me amam. Eu necessito desse carinho e amor para poder transmiti-lo à vocês e aos outros. 

Não desistam nunca de me ensinarem o bem, mesmo quando eu parecer não estar aprendendo. 
Insistam através do exemplo e, no futuro, vocês verão em mim, o fruto daquilo que plantaram.

Fênix Faustine
Disponível em: http://pensador.uol.com.br/frase/MTY5NzA5/. Acesso em: 18/07/2016.Imagem disponível em: http://anjinhosediabinhos.blogspot.com.br/2008_11_01_archive.htmlAcesso em: 18/07/2016.

terça-feira, 21 de junho de 2016

UMA CRIANÇA "LEITORANDO" 
 

 
 Alguns neologismos criados:
"leitora"
"Leitorando"
"leitorar"

Uma criança que "leitora" quer entender aquilo, para muitos de nós, é óbvio: como as letras se juntam umas às outras e formam palavras (as coisas que elas veem, conhecem, falam o tempo todo, mas que ainda não entendem o funcionamento. "Leitorar" pode ser entendido como um exercício de tentar entender (ler/entender esse mundo). Quando uma criança está "leitorando", ela quer saber como alguns traços, símbolos e imagens se diferenciam de outros. Ela busca saber se eles são infinitos, se têm características comuns. A criança está "leitorando" quando quer compreender por que alguns desses traços, sinais ou símbolos (as letras, as sílabas, as palavras, as imagens, os textos) aparecem muitas vezes e outros raramente na nossa cultura. Quando está atenta ao "leitorar", a criança começa a ver tudo isso por todos os lugares onde passa (nas ruas, nas padarias, nos supermercados, nas lojas, nos bilhetes, em sacos de pão, na internet, etc). A criança "leitorando" também se interessa muito pelos livros. Com eles, vê coisas, imagina outras, modifica o seu mundo. Com eles, vê coisas, modifica o seu mundo. "Leitorando", a criança também estará em permanente mudança, instigada a sempre ver mais, de novo e o novo.

Gabriela Silveira Meireles

Imagem disponível em: http://www.moodle.ufba.br/course/view.php?id=12182. Acesso em: 21/06/2016.

domingo, 19 de junho de 2016

COMO FALAR DE DOENÇA COM AS CRIANÇAS?
  http://previews.123rf.com/images/tawesit/tawesit1409/tawesit140900124/32161318-Nurse-vaccinate-child-cartoon-character-Stock-Photo.jpg 


A doença ou o adoecimento é algo que realmente faz parte da vida". É com a doença que e aprendemos a ver que não somos onipotentes ou insubstituíveis. É com a doença que o corpo se cansa e faz co que pensemos mais sobre a nossa vida. é com a doença que temos de deixar o nosso orgulho de lado e reconhecer que precisamos da ajuda das pessoas (às vezes para as coisas mais simples, como tomar banho, comer e falar). A doença faz com que, algumas vezes, sejamos mais humildes e mais solidários, passando a observar mais as dificuldades e necessidades do outro. Por tudo isso, a doença não é algo ruim (um castigo), como muitos pensam. Elas em geral, nos fazem refletir e, por isso, nos torna pessoas melhores. Algumas vezes elas também fazem com que valorizemos as pessoas que estão ao nosso redor (aquelas que nos amam de verdade e que torcem a cada minuto para que fiquemos bem de novo!). Essas pessoas podem ser amigos, conhecidos, colegas de trabalho, etc, mas geralmente são as pessoas da nossa família (aquelas a quem a gente raramente dá valor merecido). Tá aí uma ótima oportunidade para reparar esses laços, dizer que as ama, agradecer a todo carinho que depositaram por um dia,  uma semana, um mês, um ano, uma vida inteira! Em geral, a doença é algo passageiro, mas há pessoas que lutam a vida toda com a mesma doença e ainda outras decorrentes dela. Por isso, falar de doença com crianças é, antes de tudo, ensinar-lhes o que pode aprender com aquela doença. É dar-lhes oportunidades de fazer coisas que não faria se não estivesse quietinho na cama, de conversas com diferentes pessoas que querem lhe ajudar (no hospital, por exemplo, os médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e até mesmo as visitas que receber). Adoecer é, assim, uma oportunidade de estar cercado/a de pessoas queridas e de aprender com elas!

TODA A ENFERMIDADE DO CORPO É PROCESSO EDUCATIVO PARA A ALMA (Pelo espírito Neio Lucio)


A DOENÇA NA VISÃO ESPÍRITA:


Nossa postura diante dos desequilíbrios da saúde mostra nossa evolução espiritual. A visão materialista da vida, que se impõe em seus conceitos em todas as áreas da atividade humana, afirma que depois da morte do corpo não há nada a se esperar; que a vida física nada mais é que um resultado de forças que se conjugam adequadamente; que o objetivo da vida é ser feliz a qualquer custo, não medindo conseqüências para alcançar tal finalidade.
Essa forma de considerar a vida no planeta é responsável por um grande número de desesperados diante da dor física, seja ela passageira ou de natureza crônica. Para muitas, a doença é um castigo de Deus, não encontrando nela nenhum objetivo elevado.
É comum encontrarmos pessoas que se sentem aterrorizadas diante de algumas doenças. Se algum conhecido padece desse mal, assim se referem ao fato: - “Fulano está com ‘aquela’ doença.” Nem sequer pronunciam o nome da doença, com medo de se contagiarem.
Encontramos pessoas que se tomarem conhecimento da doença grave de que são portadoras, entram em desespero, complicando seu tratamento e a vida de quem cuida delas.
Há doentes que se apegam à doença que possuem. Parece antagônico mas, embora digam que se sentem amargurados por estarem doentes, no fundo apegam-se a ela com todas as suas forças. Contam, com detalhes, tudo o que sentem, cada medicamento que tomam, as sensações que eles produzem, o que o médico disse, etc, etc.. Não encontram outro assunto para conversar e geralmente dominam a conversa falando somente sobre a doença e sobre si mesmos...
Há aqueles que adoram ir ao médico, seja de que especialidade for. Perambulam de consultório em consultório, tentando encontrar um desajuste orgânico qualquer, para que possam ocupar o tempo disponível que têm.
Todas essas formas desequilibradas de se encarar os desajustes orgânicos mostram que, além do problema físico, há também um desajuste psicológico.
No entanto, encontramos igualmente inúmeros casos de pessoas que sabem encarar, de maneira positiva, a enfermidade ou as limitações físicas de que são portadoras, distribuindo lições de encorajamento, de paciência e de alegria com a vida! 
O Espiritismo nos dá uma visão muito mais avançada e justa na questão das doenças. Ensinam os Benfeitores Espirituais que o desequilíbrio físico, seja ele passageiro ou não, representa um recurso utilizado pela Justiça Divina para disciplinar nosso Espírito, ainda rebelde e indisciplinado perante os desígnios de Deus.
Com a Doutrina Espírita aprendemos que cada célula do nosso corpo físico está “conectada” à uma célula em nosso corpo espiritual. Assim, quando lesamos nosso corpo físico, geralmente pelos excessos de todo tipo, estaremos, na verdade, lesando nosso corpo espiritual. Da mesma forma, se causamos qualquer tipo de desgaste orgânico em alguém, seja através do trabalho forçado ou de castigos físicos, assumimos um compromisso gravíssimo, vindo a padecer, em vidas futuras, o mesmo mal que causamos à saúde desses nossos irmãos.
Comprometidos negativamente com os prejuízos causados em nosso corpo físico, ou sobre a saúde dos outros, ao reencarnarmos, trazemos esses desajustes inerentes ao nosso corpo espiritual, que, no momento propício irão se manifestar. Seja qual for a causa do desajuste da saúde, ela está sempre ligada à nossa necessidade de correção, auxiliando nosso progresso espiritual.
A visão espírita da vida, do sofrimento e da dor nos confere grande calma e paciência, resignação e coragem diante das preocupações causadas pelas enfermidades, sejam nossas ou naqueles a quem amamos.
Especialmente na questão da saúde, citamos aqui um trecho de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, no capítulo 8, item 20. Trata-se de uma mensagem do Espírito de João Maria Batista Vianney (França, 1786-1859), o digníssimo Cura de Ars (vilarejo no Sul da França). Esse missionário era procurado por inúmeras pessoas que o buscavam para obterem a cura de seus males e, pelo seu imenso amor aos sofredores, muitas foram alcançadas pelo seu intermédio. Mas, nessa mensagem ele assim se refere à questão da saúde física e espiritual:
“Nas vossas aflições voltai sempre os vossos olhos para o céu, e dizei, do fundo do vosso coração: ‘Meu Pai, curai-me, mas fazei que minha alma doente seja curada antes das enfermidades do corpo; que minha carne se eleve para vós com a brancura que possuía quando a criastes’. Após esta prece, meus bons amigos, que o  Bom Deus sempre ouvirá, a força e a coragem vos serão dadas, e talvez também a cura que temerosamente pedistes, como recompensa de vossa abnegação.”

Parte do texto disponível em: http://geak2002.blogspot.com.br/2011/11/doencas-e-doentes.html. Acesso em: 19/06/2016.

Imagens disponíveis em: https://www.google.com.br/imgres?imgurl=http%3A%2F%2Fwww.jogosparamenina.net%2F_arquivos%2Fjogosonline%2Fimgs%2Fbob-esponja-doente-no-hospital_f0ec388c594668c54805e93d871eade0.jpg&imgrefurl=http%3A%2F%2Fwww.jogosparamenina.net%2Fjogo%2Fbob-esponja-doente-no-hospital%2F&docid=zIEgFBiGdPKB4M&tbnid=69UFPw6z2-06tM%3A&w=298&h=255&client=firefox-b-ab&bih=641&biw=1280&ved=0ahUKEwiXoovLqrTNAhWDW5AKHdb-Bh8QMwhUKDAwMA&iact=mrc&uact=8; http://celuiza.blogspot.com.br/2013/05/o-espiritismo-e-as-doencas.html. Acesso em: 19/06/2016

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

DINÂMICAS DE GRUPO PARA O 
1º DIA DE AULA

As Dinâmicas de Grupo nunca foram tão procuradas e praticadas como nos dias de hoje. É inegável dizer que o ser humano é um ser lúdico e, portanto, um ser que precisa de Movimento, Desafio, trabalhar de forma Cooperativa, e ter um Propósito. As dinâmicas englobam e suprem essas necessidades e podem atuar como importantes aliadas do processo de ensino e de aprendizagem, bem como nos relacionamentos entre professor/a e alunos/as e entre alunos/as e alunos/as.
ALGUMAS DINÂMICAS PARA O INÍCIO DAS AULAS:


GRANDE ABRAÇO <ul><li>Coloque uma música de fundo e peça para que os alunos andem aleatoriamente.  Ao desligar ou baixar o...

GARRAFA DOS ELOGIOS <ul><li>Material:  Uma garrafa vazia (pode ser de refrigerante).  </li></ul><ul><li>O grupo deve senta...

A DANÇA DAS CADEIRAS <ul><li>Fazer uma roda com cadeiras e em número inferior (-1) ao número de crianças participantes. Co...

JOGO DOS RÓTULOS <ul><li>MATERIAL:  Rótulos (feitos pelo professor) e fita adesiva. </li></ul><ul><li>As crianças andam li...

CAIXINHA DE SURPRESAS <ul><li>Quando a música pára, quem está com a caixa na mão cumpre uma tarefa. </li></ul><ul><li>MATE...

WORD PAINT  <ul><li>MATERIAL :  Papel e lápis. </li></ul><ul><li>Os jogadores devem dividir-se em 2 grupos. O primeiro gru...

OUTRAS DINÂMICAS:

Dinâmica do Feitiço Virou contra o Feiticeiro – Respeito entre as crianças

Objetivo: não faça ou deseje aos outros o que não gostaria para si
Material: papel e caneta
Procedimento: forma-se um círculo, todos sentados, cada um escreve uma tarefa que gostaria que seu companheiro da direita realizasse, sem deixá-lo ver. Após todos terem escrito, o feitiço vira contra o feiticeiro, que irá realizar a tarefa é a própria pessoa que escreveu. “não faça ou deseje aos outros o que não gostaria para si”. Respeito ao próximo.

Dinâmica do Urso de Pelúcia

Objetivo: mostrar que o outro é importante pra nossa vida
Material: um urso de pelúcia
Procedimento:
Forme um círculo com todos e passe o urso de mão em mão, quem estiver com o urso deverá falar o que tem vontade de fazer com ele. No final que todos falarem deve-se pedir para que façam o mesmo que fizeram com o urso com a pessoa do lado.


Dinâmica do Pirulito

Objetivo: Para reflexão da importância do próximo em nossa vida
Material: Pirulito para cada participante.
Procedimento: Todos em círculo, de pé. É dado um pirulito para cada participante, e os seguintes comandos: todos devem segurar o pirulito com a mão direita, com o braço estendido. Não pode ser dobrado, apenas levado para a direita ou esquerda, mas sem dobrá-lo. A mão esquerda fica livre.


Vamos ao passo-a-passo: Primeiro solicita-se que desembrulhem o pirulito, já na posição correta (braço estendido, segurando o pirulito e de pé, em círculo). Para isso, pode-se utilizar a mão esquerda. O mediador da dinâmica, recolhe os papéis e em seguida, dá a seguinte orientação: sem sair do lugar em que estão, todos devem chupar o pirulito.
Aguardar até que alguém tenha a iniciativa de imaginar como executar esta tarefa, que só há uma: oferecer o pirulito para a pessoa ao lado!!! Assim, automaticamente, os demais irão oferecer e todos poderão chupar o pirulito. Encerra-se a dinâmica, cada um pode sentar e continuar chupando, se quiser, o pirulito que lhe foi oferecido.
Abre-se a discussão que tem como fundamento maior dar abertura sobre a reflexão de quanto precisamos do outro para chegar a algum objetivo.
Você pode usar uma bala também, ela pode ser utilizada na reunião de pais, para simbolizar o trabalho entre escola e família, ou na reunião de professores, onde o coordenador pedagógico pode falar sobre a importância do trabalho em conjunto dos professores das diversas disciplinas.

Dinâmica de Grupo com Bexigas

A aplicação da técnica inicia-se com as pessoas reunidas em círculo e no centro uma bexiga para cada participante. Cada pessoa pega enche a sua bexiga e após amarrá-la é dada a proposta de que o grupo deve mantê-las voando. Então, o monitor responsável pela dinâmica deve ir retirando os participantes lentamente, um por vez.
O número de bexigas continuará o mesmo, porém o número de pessoas será cada vez menor, até chegar a ponto de não mantê-las mais suspensas.
Objetivo da atividade: Ressaltar a importância do trabalho em equipe.
Existem uma infinidade de dinâmicas com bexigas e variações sutis entre uma e outra, então veja qual delas é mais fácil de você fazer e qual atende melhor seus objetivos.
Todos esses tipos de dinâmicas são ótimas para as crianças e também são ótimas dinâmicas de grupo para professores, sendo que boa parte delas, podem ser aplicadas para crianças, jovens e também adultos, dentro e fora da sala de aula.
Disponível em: http://www.atividadeseducacaoinfantil.com.br/brinquedos-e-brincadeiras/dinamicas-grupo-criancas/. Acesso em: 01/02/2016.
Disponível em: http://pt.slideshare.net/Alvesana/jogos-para-1-dia-de-aulas. Acesso em: 01/02/2016.
Disponível em: http://www.sosprofessor.com.br/blog/dinamicas-de-grupo-para-sala-de-aula/. Acesso em: 01/02/2016.
Imagem disponível em: http://www.alienado.net/dinamicas-para-criancas/. Acesso em: 01/02/2016.

sábado, 14 de novembro de 2015

COMO AJUDAR UMA CRIANÇA A
 LER E A ESCREVER 

Ler histórias para a criança ajuda a formar o que os educadores chamam de comportamento leitor

  • Ler histórias para a criança ajuda a formar o que os educadores chamam de comportamento leitor
Desde que nasce, cada aprendizado que a criança conquista é motivo de festa para os pais. A fase em que se aprende a ler e a escrever, que ocorre em média entre cinco e oito anos, é uma das mais aguardadas pelos adultos.


Em geral, os pais ficam apreensivos com esse momento. Alguns temem que o filho não consiga acompanhar a turma da escola e acabe ficando para trás ou se preocupam com o ritmo de desenvolvimento, julgando-o lento. Outros comparam o próprio histórico escolar com o da criança e acreditam que ela tem de repetir os passos do pai ou da mãe, principalmente os acertos e os avanços, claro.



Há ainda os que resolvem se antecipar aos professores e resolvem acelerar o processo, alfabetizando a criança em casa, a seu modo: seja como aprendeu no passado, seja da maneira como foi ensinado ao filho do vizinho ou a um sobrinho. Embora isso tudo seja feito com as melhores intenções, não é coisa muito bem vista por profissionais de educação.



"Pais e professores devem trabalhar em parceria para que a criança aprenda e se desenvolva. A colaboração da família é sempre bem-vinda, desde que esteja em sintonia com o trabalho realizado em sala de aula. É importante que os pais compreendam que a escola é o organismo capacitado para ensinar, que está preparado para fazer as intervenções adequadas, e que o processo de aprendizagem que envolve a leitura e a escrita se dá aos poucos", diz Márcia Ferreira, professora do primeiro ano e de apoio da coordenação da Escola Viva, em São Paulo.

Para Priscila Fernandes, coordenadora do programa de educação infantil do Instituto C&A, é importante que a família conheça, confie e se sinta confortável com a metodologia pedagógica usada pela escola.
Por isso, antes de pendurar uma lousa na parede da sala e tentar alfabetizar seu filho, procure o professor dele e converse sobre o que é possível fazer em casa para ajudá-lo a aprender. "A escola, que é a responsável formal pela educação, e a família devem ser parceiras nesse processo, e não concorrentes", fala Priscila.


Em geral, o que os educadores esperam dos pais é que eles criem o chamado ambiente alfabetizador em casa. Para isso, não é necessário fazer nenhuma grande mudança na rotina. A seguir, algumas dicas das especialistas consultadas para essa reportagem:



– Deixe ao alcance da criança livros e outros materiais com texto, como jornais, gibis, revistas, agendas, calendários e cardápios de restaurantes;



– Leia histórias para seu filho e cultive o hábito da leitura para que a cena se torne cada vez mais familiar e agradável para ele. Isso ajuda a começar a criar o que os educadores chamam de comportamento leitor;



– Permita que a criança escreva, mesmo que ainda não saiba fazê-lo tal como uma pessoa já alfabetizada. Para isso, deixe à disposição dela papel, canetas e lápis. Se ela rabiscar algo e lhe mostrar, dizendo que escreveu, pergunte o que está escrito. Depois, anote o que ela lhe disser logo abaixo das representações dela.

"Não precisa comentar ou explicar que não é assim que se escreve tal coisa. Somente registre usando a grafia convencional para que ele tenha contato com as letras. Prefira usar sempre letras de forma maiúsculas, usadas de maneira mais recorrente na maioria dos textos", fala Priscila. Você pode dizer que está escrevendo a mesma coisa que ela, do seu jeito;
– Quando for escrever algo, como um bilhete ou a lista de compras do supermercado, convide a criança para participar do momento. "No entanto, não o force como se fosse uma obrigação", diz Márcia; 


– Use toda oportunidade para escrever o nome da criança. Priscila diz que o nome próprio é considerado pelos educadores como o primeiro alfabeto da criança. É por meio dele que ela vai ter bastante contato com um conjunto restrito de letras, em uma ordem determinada e, com o tempo, passará a reconhecê-la em outras palavras: por exemplo, ao ver o nome Marcelo escrito na mochila do amigo, Mariana vai reconhecer as letras M, A e R. Isso é importante para que ela aprenda a ler cada vez mais palavras que tenham esse mesmo começo e passe a se arriscar na leitura;

– Chame a atenção de seu filho para palavras que aparecem em rótulos de produtos. Mostrando um pacote de biscoito, diga a ele: "veja, aqui está escrito biscoito" e aponte a palavra. Fazendo isso você estará mostrando que os sinais que ele vê por toda a parte têm um significado. Incentive-o também a se arriscar na leitura. Isso é o que os profissionais da área de educação denominam de ler sem saber ler;


– Ao liberar seu filho para brincar com o computador ou tablet, não só apresente a ele jogos, músicas e filminhos. Incentive-o a explorar o teclado.



Evidentemente, nenhuma dessas práticas é suficiente para que seu filho aprenda. Lembre-se de que é na escola que ele será desafiado de maneira didática pelos professores e poderá avançar refletindo com base em suas próprias ideias e nas dos colegas. Apesar disso, investir tempo nessas sugestões diariamente (sem impô-las como um dever) vale muito a pena.

No livro "Ler e Escrever na Escola: o Real, o Possível e o Necessário" (editora Artmed), Delia Lerner, argentina estudiosa da didática da leitura e da escrita, afirma que ensinar a ler e a escrever é um desafio que transcende amplamente a alfabetização em sentido estrito. O desafio tem a ver com incorporar os alunos à cultura do escrito, fazer com que todos sejam membros plenos da comunidade de leitores e escritores. Ou seja, você não deve se dar por contente quando seu filho aprender a ler e a escrever. É preciso mais:  fazer uso disso com autonomia e competência e não só por obrigação, mas também por prazer.

Lição de casa: ajuda dos pais precisa ter limites

Para fixar o que foi aprendido na escola, desafiar a criança a encontrar solução para algo que ainda não aprendeu ou avaliar como ela lida com determinado tema visto em sala horas depois, quando está sozinha, os professores encaminham atividades para serem feitas em casa.
"É bastante comum que os pais sejam orientados sobre como proceder", afirma Márcia. Se a escola do seu filho não faz isso, agende uma reunião com o professor dele, o coordenador pedagógico ou o diretor e peça para conversar a respeito. É importante não só saber o que eles esperam de você, mas também as expectativas em relação à criança.


Em linhas gerais, para colaborar com o momento da tarefa, escolha um local organizado, silencioso e confortável para a criança estudar.



Se ela pedir auxílio para resolver algum item, procure ajudá-la somente lendo o enunciado. "Ao passar uma tarefa para casa, o educador tem objetivos claros e, se os pais resolvem o exercício para não deixar que o filho vá à escola no dia seguinte com o dever em branco, estão mascarando, ainda que sem querer, o que a criança sabe e o que ela ainda não aprendeu", diz Márcia.

Além disso, não se esqueça de que o professor conhece a criança e vai perceber que não foi ela quem resolveu a lição se o resultado estiver muito além do que ela sabe no momento.


No caso de seu filho se preocupar porque não consegue resolver alguma coisa ou cometer erros, tranquilize-o. Explique que não há problema em errar ou admitir que ainda não sabe tal coisa. Faz parte do processo e, no dia seguinte, o professor e os colegas de classe vão ajudá-lo.


LIVROS QUE INDICO
Favor prestar atenção à faixa etária indicada por cada um deles...
  
     
   
   
   
  
  
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Disponível em: http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2013/04/26/ajude-seu-filho-a-aprender-a-ler-e-a-escrever-sem-atropelar-a-escola.htm. Acesso em: 14/11/2015.
Imagens disponíveis em: https://www.google.com.br/search?q=livros+infantis+indicados&biw=1366&bih=667&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0CAYQ_AUoAWoVChMIocunv8uQyQIVx4GQCh2cggYr. Acesso em: 14/11/2015.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

COMO LIDAR COM A BIRRA DAS CRIANÇAS?

Foto: As explosões de raiva são comuns entre as crianças de 1 e 3 anos

O escândalo que algumas crianças fazem diante de uma frustração pode acabar com o dia de qualquer um. Perdidos e nervosos com o barulho e a atenção que a criança atrai, muitas vezes em público, os pais não sabem o que fazer. A solução não envolve gritos, puxões de orelha ou palmadas, mas sim firmeza e autoridade, desenvolvidas a médio prazo.

Segundo a psicóloga Dora Lorch, autora do livro “Superdicas para Educar bem seu Filho” (Editora Saraiva), enquanto as crianças não sabem lidar com o “não”, só os pais podem tomar uma atitude capaz de melhorar a situação. Foi o caso da especialista em mídias sociais Samantha Shiraishi, mãe de dois meninos e autora do blog “A Vida Como a Vida Quer”.

Quando era pequeno, Giorgio, hoje com nove anos, queria comer um pacote inteiro de balas de uma só vez. Ao proibi-lo, o menino deu um escândalo no meio do metrô. Na hora, sem perder o controle, Samantha determinou que ele não poderia mais comer aquela bala enquanto não aprendesse a se comportar em público. “Até hoje, quando alguém oferece a bala, ele lembra que é a ‘bala proibida’”, diz a mãe.

Segundo especialistas e mães, táticas como esta podem ser muito efetivas para lidar com as birras infantis. 
Por que as crianças fazem birra?
 
As birras são episódios de raiva e descontrole nos quais a criança pode jogar-se no chão, bater nos objetos ou jogá-los, gritar, chorar, inclusive machucar a si mesma ou o adulto que a acompanha.
 
Este comportamento surge por volta dos 2 anos de idade e, se os pais souberem lidar com ele, desaparecerá dentro do processo natural de desenvolvimento do pequeno – em geral se torna menos frequente até os 3 anos.
 
Analisar as birras é analisar a criança de 2 anos, com suas particularidades: nesta fase, a criança quer ter o controle de tudo, deseja mais independência do que suas habilidades e segurança permitem, e desconhece suas limitações. Quer tomar decisões, mas não sabe como agir direito e não tolera restrições.
 
Ao não saber expressar seus sentimentos verbalmente, exterioriza sua raiva ou frustração com o choro e a birra. Tal comportamento não é perigoso, e pode até ser útil à criança, mas os pais precisam saber lidar com ele.
 
Os principais fatores que desencadeiam as birras são:
 
- Desejo de independência
 
- Inconformidade diante de uma norma ou negativa
 
- Vontade de chamar a atenção
 
Guia para pais desesperados
 
Sendo este o comportamento típico da fase dos 2 anos, é importante aplicar uma série de estratégias que ajudam a controlar a situação. Se os pais souberem lidar com isso com naturalidade, os filhos ganharão doses importantes de autocontrole e atitude proativa diante da frustração.
 
Algumas recomendações:
 
- Não dar atenção à criança quando está fazendo birra. Não tentar acalmá-la. Não gritar nem bater nela. Mantenha a calma, demonstrando que quem tem o controle é você, o adulto.
 
Alguns especialistas recomendam isolar a criança enquanto faz birra, deixando-a em um lugar no qual não corra perigo, por um tempo curto (de 2 a 5 minutos), até que se tranquilize.
 
- Conservar regras, limites, normas, horários, ainda que não sejam do total agrado das crianças.
 
- Em hipótese alguma ceder aos caprichos das crianças. É preciso permanecer firme, ainda que o choro esteja esgotando sua paciência. Se você não fizer isso, estará ensinando seu filho a fazer birras para conseguir o que quer.
 
- Quando as birras acontecem em lugares públicos, com mais razão os pais devem demonstrar sua autoridade, pois estes cenários deixam os pais mais vulneráveis e, diante da pressão indireta do público, podem acabar cedendo. Se a criança vir firmeza nos pais, se tranquilizará mais rapidamente.
 
- Quando a criança se acalmar, é aconselhável abraçá-la, pegá-la no colo e conversar com ela, olhando sempre em seus olhos e adaptando-se à sua estatura; dizer-lhe o quanto você a ama, mas que não pode permitir esse tipo de comportamento.
 
Ainda que seja normal desesperar-se diante das birras infantis, lembre-se de que a criança se sente muito pior do que você ao ver-se com estas reações que não é capaz de controlar. Não hesite em demonstrar firmeza e lembre-se sempre: a palavra “não” também pode ser pronunciada pelo amor!

Leia outras dicas práticas para ajudar seu filho a aprender a se comportar.
1. Não perca o controle: seja firme, mas também acolhedor
Assim que a criança começa a fazer uma cena dramática no shopping ou no parque, é melhor segurar as rédeas da situação do que entrar na mesma dança. Pode ser que você esteja ficando muito irritado, mas segundo o psicólogo e terapeuta familiar João David Cavallazzi Mendonça, pais que perdem o controle podem assustar ainda mais a criança e tornar a birra ainda pior.

Mas os pais tampouco devem amolecer. Segundo a psicopedagoga Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), os adultos devem manter firmeza no tom de voz e falar com a criança na altura delas, explicando que atitudes como esta não irão mudar nada. Ao perceber que a criança está prestando atenção, João David ainda indica demonstrar acolhimento: segurá-la no colo e explicar o porquê da negativa poderá ajudar bastante.
2. Não ceda aos apelos da criança e mantenha a palavra
Por culpa ou falta de paciência, às vezes os pais acabam cedendo aos pedidos dos filhos e deixam a birra passar como se não fosse nada demais. Esse é um erro fatal: segundo Dora Lorch, a criança pode ficar cada vez mais autoritária, pois percebe uma maneira de sempre conseguir o que quer. Segundo a psicóloga e psicoterapeuta familiar Ana Gabriela Andriani, as crianças precisam entender que nem sempre terão o que desejam e quando desejam, e que sua insistência não é uma cartada aceita nesta hora.

3. Dê exemplos: sair batendo porta dentro de casa não é um deles
Que os pais devem ser bons modelos para seus filhos e esta premissa vale também para momentos de raiva em que o adulto resolve fazer a própria “birra” – batendo uma porta em casa após um momento de estresse, por exemplo. “Às vezes a criança está apenas repetindo o comportamento da mãe”, diz Dora Lorch.

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Quanto mais atenção os pais derem à birra do filho, pior será o comportamento dele
4. Não dê atenção à birra
Aos dois anos, Rafaela, filha da socióloga Ariane Torezan, foi com a mãe ao supermercado. Quando Ariane proibiu a filha de levar para casa uma guloseima, Rafaela se deitou no chão, começou a chorar e a gritar. “Não tive dúvidas: virei as costas e continuei andando. Ela não teve outra alternativa se não parar de chorar e vir atrás”, relembra Ariane.

Para o psiquiatra e educador Içami Tiba, autor de “Disciplina: Limite na Medida Certa” (Integrare Editora), as crianças precisam passar pelo estresse de perder a segurança na hora da birra. “Se ela se sente insegura, muda. A criança fica preocupada se os pais a deixam”. Rafaela, hoje com nove anos, nunca mais teve qualquer comportamento parecido.
5. Dê castigos proporcionais (e não se sinta culpado depois)
As crianças devem entender que seus atos têm consequências. Para não se arrepender no meio de um castigo, os pais devem calcular adequadamente o tempo de punição. “Para uma criança de dois anos, um castigo de dez minutos já é o bastante”, recomenda Quézia Bombonatto. Na orientação da Supernanny Cris Poli, um minuto por ano de idade é uma boa medida. Mas tudo depende da gravidade da birra e de como aquela família funciona.

6. Não meça forças com a criança e seja flexível de vez em quando
Os pais devem ser firmes e mostrar quem coloca as regras no dia a dia. Mas isso não significa incorrer no autoritarismo. “O ‘não pode’ deve ser usado para o que realmente é importante”, diz Quézia Bombonatto. 

Se a criança começa a desarrumar a sala logo após uma arrumação, os pais não precisam proibi-la, mas podem deixar claro que ela terá que arrumar tudo depois. Algumas coisas podem e devem ser negociadas com a criança. Afinal, será que 10 minutinhos a mais no parquinho é um grande transtorno? “Essa flexibilidade também pode ser benéfica”, concorda João David.

7. Explique o que ela está sentindo e veja o que está acontecendo
Dar nome ao que a criança está passando pode ajudá-la a se controlar. “Ela ainda está em processo de aprendizado e precisa aprender a identificar o que está sentindo”, explica João David. Assegurá-la de que ela está sendo, de alguma forma, compreendida, é importante.

Por isso, o adulto deve sentar com ela e explicar que sabe como ela se sente, mas agora não é possível ter o que ela quer, pela razão que for. Descobrir as razões infantis também é necessário. Às vezes, a criança pode muda de comportamento por uma razão não aparente, como o nascimento de um irmão mais novo ou a volta da mãe ao trabalho. “Ao ser questionada, a criança vai explicar com menos ou mais recursos, dependendo da idade, e tudo vai ficando mais fácil”, diz Dora Lorch.
8. Distraia a criança
Segundo Quézia Bombonatto, em certas situações chamar a atenção da criança para outra coisa pode ser a melhor saída para a birra. Especialmente quando o comportamento desanda em locais públicos. Fazê-la rir ou distraí-la com outro atrativo costuma ser efetivo e a criança pode esquecer a razão do escândalo que estava fazendo minutos atrás.

9. Compare a atitude dela com a das pessoas ao redor
Ana Gabriela Andriani também sugere comparar a criança com as outras pessoas no local e mostrar que ninguém mais está chorando, só ela. “A criança só consegue enxergar a si mesma. Ajudá-la a se comparar aos outros é uma maneira de fazê-la se sintonizar com o mundo”, diz.

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Filhos podem imitar as atitudes dos pais: evite a "birra de adulto"
10. Não insista em conversar na hora da raiva
Assim como muitos adultos, a criança não irá ouvir o que os pais estão dizendo no calor de um ataque de birra. “Nesta hora ela está focada na frustração, não está ouvindo”, diz Ceres de Araújo. Por isso, o melhor pode ser ignorar a atitude dela e conversar mais tarde, quando ela estiver mais calma, sobre o ocorrido. Neste período, os pais podem aproveitar para pensar na atitude que irão tomar.

11. Valorize e qualifique a criança sempre que possível
Reforçar positivamente o bom comportamento infantil depois de um ataque de birra ajuda a prevenir novos episódios. Se um dia a criança fez uma birra homérica no parque, ao voltar ao mesmo lugar o pai pode lembrar que confia nela para a história vivida no passado não voltar a acontecer. “Esta é uma maneira de qualificar o filho, mostrar que você acredita que ele pode ser diferente”, diz João David.

12. Tome medidas preventivas
Sentir fome e sono sem poder suprir as necessidades são sensações capazes de deixar qualquer um irritado. Para as crianças, estas sensações podem facilmente se transformar em birra. Por isso, manter uma rotina de sono e alimentação ajuda a evitar a irritação. “Os pais devem identificar o que pode ser evitado. Se sabem que a criança costuma dormir às nove horas da noite, não é ideal sair para jantar neste horário”, exemplifica João David.

O que é a birra?
É um comportamento que se observa quando a criança se vê em uma situação de frustração. "É uma resposta emocional intensa da criança a algo que a frustrou ou que ela pensa que vai frustrar. A birra pode envolver choro, gritos, se jogar no chão, ficar paralisado, ficar mudo, agredir-se, agredir, morder, unhar, urinar, parar de comer...enfim, um show de horrores para a maior parte dos pais", diz a psicóloga do Hospital São Camilo de São Paulo, Rita Calegari. As reações variam de criança para criança, assim como a intensidade. "A birra e as explosões emocionais como essas podem ser muito ou pouco freqüentes, dependendo de cada indivíduo", complementa Christine Bruder, psicóloga do bercário Primetime Child Development, em São Paulo.
Por que as crianças reagem dessa forma?
As crianças costumam ter essa reação porque não são maduras ainda para lidar com a frustração. "Isso significa que podemos considerar esperado que uma criança pequena reaja assim. E essa é uma ótima ocasião para os pais trabalharem a aceitação do filho à frustração, orientando, explicando, enfim, ajudando para que ele supere essa fase", explica a psicóloga do Hospital São Camilo de São Paulo, Rita Calegari. Mas ela alerta que, infelizmente, reações como essas não são exclusividade das crianças. "Vemos muitos adultos descontrolados no trânsito, nas relações pessoais, no trabalho. Adultos também têm seus ataques de birra".
Como os pais devem agir diante da birra das crianças?
Em primeiro lugar, devem dar o exemplo, ou seja, devem mostrar que estão controlados. "O mais produtivo é que os pais mantenham a calma. E tentem descobrir o que está acontecendo com a criança, qual o motivo da insatisfação", diz Christine Bruder, psicóloga do bercário Primetime Child Development. Mas também é preciso ter em mente que nem sempre será possível estabelecer com a criança uma conversa nessa hora. 

"Deixe-a fazer a birra, não fale muito (ela não vai ouvir mesmo), espere passar, proteja-a para que não se machuque e quando ela estiver mais calma, aí sim, converse", diz a psicóloga do Hospital São Camilo de São Paulo, Rita Calegari. "Como parte da birra envolve chamar atenção, quando a criança ficar birrenta evite que todo mundo fique dando atenção (lembre-se que atenção de pai e mãe vale ouro pra criança). Leve-a para um local reservado, monitorando-a. Não a deixe sozinha sem supervisão de um adulto", acrescenta a psicóloga.

Há como prever um ataque de birra?
Sim. "Lembre-se de que é como ferver leite: depois de um certo ponto da fervura, mesmo se você desligar o fogo, o leite vai subir e derramar. O ideal é ficar atento antes do leite ferver, ou seja, estar atento à criança para evitar o ataque", diz Rita Calegari do Hospital São Camilo de São Paulo.
Colocar de castigo funciona?
Castigar a birra é muito complicado, segundo alerta a psicóloga do Hospital São Camilo de São Paulo, Rita Calegari. "Não é garantia de que outra crise não ocorrerá. O que funciona é os pais manterem uma postura enérgica: após a birra, converse com a criança dando-lhe apoio para entender seu comportamento e formas saudáveis de como lidar com a frustração. Explique porque não pode, explique que os adultos também passam por isso e como reagem, dê seu exemplo, peça cooperação da criança", diz Rita.
Os pais devem falar mais alto que a criança quando ela faz birra?
Não, pelo contrário, isso não vai ensinar nada de útil ao seu filho. Dará apenas o exemplo errado. "Será uma criança imatura com um adulto aparentemente descontrolado interagindo", diz a psicóloga do Hospital São Camilo de São Paulo, Rita Calegari.
Como reagir se a birra acontecer em público?
Com muita calma e autocontrole. E sem ceder ao que foi negado ao filho. "Os pais, normalmente envergonhados, querem fazer a criança parar e acabam cedendo à pressão dos filhos. Relaxe: todo mundo que tem filho já viu isso antes e quem não viu, se for pai um dia verá", aconselha a psicóloga do Hospital São Camilo de São Paulo, Rita Calegari. Importante também é não deixar a criança sozinha e tentar levá-la para um local mais reservado, se for possível, para esperar que ela se acalme, conforme recomenda a psicóloga Christine Bruder.
É importante conversar após a birra para discutir o ocorrido?
Sim. Mas não faça um longo sermão. Crianças pequenas não prestam atenção a conversas longas e cheias de argumentos. "Os pais devem falar com calma, usando poucas palavras. Não adianta falar muito, porque o conteúdo da conversa não vai ser compreendido", diz Christine Bruder, psicóloga. O fundamental, segundo ela, é explicar a criança o que ela sentiu durante o descontrole emocional, nomear o sentimento e dizer como ela deve lidar com ele. "Algumas crianças vão querer colo depois da explosão, para se acalmar. Outras não vão querer ser tocadas. É preciso respeitar", diz Christine.
Quando os pais não lidam corretamente com a birra quando a criança é pequena, ela poderá continuar tendo ataques semelhantes quando for mais velha?
"Sim ! Olhem os jovens, os adolescentes e os adultos que temos por aí!", diz a psicóloga do Hospital São Camilo de São Paulo, Rita Calegari. Ela ressalta que frustrações fazem parte da vida, sempre. "Todos sentimos frustração, em diferentes etapas de nossa vida: o primeiro amor que acaba, o vestibular que não é aprovado, o emprego que não conseguimos, a promoção que não vem, o amigo indisponível, o salário que não chega. Pena que quando crescemos, buscamos formas nem sempre saudáveis de lidar com a frustração, como drogas e álcool", alerta a psicóloga.
Como os pais devem lidar quando a birra acontece na escola?
Converse com os professores e coordenador pedagógico para entender as causas e trabalhar em conjunto na busca de soluções. Essa é a recomendação da psicóloga Rita Calegari.
O que os pais podem fazer para evitar que as birras aconteçam?
Crianças pequenas precisam de rotina e previsibilidade. Por isso, segundo Christine Bruder, psicóloga, é interessante preparar a criança para a situação que ela for enfrentar. Se forem ao shopping, por exemplo, estabeleça as regras do passeio, diga se irão ou não comprar algo para ela, quanto tempo ficarão por lá, etc. "Também é preciso respeitar o descanso da criança. Quando ela está cansada ou doente, é mais fácil ocorrer a birra", diz ela. Depois no retorno do passeio, é interessante dar um retorno para a criança de como foi seu comportamento. "Isso ajuda muito, pois ela passa a entender o que os pais esperam dela. A criança pequena deseja agradar os pais e ficará feliz com o orgulho deles. Devemos como pais valorizar o acerto da criança, pois acabamos dando mais atenção ao que ela faz de errado", diz a psicóloga Rita Calegari.
É correto dar uns tapinhas nos filhos durante a birra?
Bater é um tipo de repressão, mas não educa. "Pode até ser útil em algum momento, mas não educa. O que educa é o diálogo, o exemplo, a insistência, a coerência. Que os pais não se enganem: a tarefa deles é educar", diz a psicóloga Rita Calegari.
Que riscos os pais assumem quando fazem o que a criança pede durante a birra?
Bater é um tipo de repressão, mas não educa. "Pode até ser útil em algum momento, mas não educa. O que educa é o diálogo, o exemplo, a insistência, a coerência. Que os pais não se enganem: a tarefa deles é educar", diz a psicóloga Rita Calegari.
Disponível em: http://delas.ig.com.br/filhos/educacao/12-dicas-praticas-para-lidar-com-a-birra/n1597588887145.html; http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/como-lidar-birra-702830.shtml; http://www.aleteia.org/pt/educacao/artigo/o-que-fazer-diante-das-birras-dos-filhos-5906305667563520. Acesso em: 31/08/2015.