quinta-feira, 14 de julho de 2016

ABC DO CEALE/UFMG


Apresento a seguir alguns dos verbetes do Glossário de Alfabetização do Ceale/UFMG. Selecionei aqui apenas alguns dos verbetes das três primeiras letras desse Glossário - A, B e C.


Alfabetização digital

Autor: Isabel Cristina Alves da Silva Frade

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG / Faculdade de Educação / Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita-CEALE

O termo alfabetização digital tem sido usado para designar um tipo de aprendizado da escrita que envolve signos, gestos e comportamentos necessários para ler e escrever no computador e em outros dispositivos digitais. Podemos pensar numa alfabetização feita com instrumentos digitais, em ambiente digital e no contexto de letramento digital. Os instrumentos digitais trazem novas formas de produção, transmissão, circulaç&at ...

Alfabetização

Autor: Magda Soares

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG / Faculdade de Educação / Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita-CEALE

A palavra alfabetização é de uso comum e frequente, não só no léxico específico de profissionais do ensino e da Educação, mas também no léxico de todos os indivíduos, alfabetizados ou não, de uma sociedade letrada. Entre estes últimos, há em geral concordância quanto ao conceito que a palavra alfabetização nomeia: pergunte-se a qualquer pessoa o que &eacu ...

Alfabetização como processo discursivo

Autor: Ana Luiza Bustamante Smolka

Instituição: Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP / Faculdade de Educação

O modo de conceber a alfabetização como processo discursivo surgiu em meados da década de 1980, a partir de interlocuções com autores no campo da Psicologia, da Educação e dos Estudos da Linguagem, e de um concomitante trabalho de atuação e investigação com crianças pré-escolares e nos primeiros anos de escolarização.   Um argumento central nessa perspectiva é o da na ...

Alfabetização de jovens e adultos

Autor: Francisca Izabel Pereira Maciel

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG / Faculdade de Educação / Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita-CEALE

Em sentido estrito, alfabetização é o ensino e a aprendizagem do sistema alfabético de escrita. Assim, indivíduos alfabetizados – crianças, jovens ou adultos –  deverão ser capazes de codificar e decodificar esse sistema, por meio da escrita e da leitura.  O que difere a alfabetização de jovens e adultos da alfabetização de crianças é especialmente o público a quem se ...

Alfabetização digital

Autor: Isabel Cristina Alves da Silva Frade

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG / Faculdade de Educação / Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita-CEALE

O termo alfabetização digital tem sido usado para designar um tipo de aprendizado da escrita que envolve signos, gestos e comportamentos necessários para ler e escrever no computador e em outros dispositivos digitais. Podemos pensar numa alfabetização feita com instrumentos digitais, em ambiente digital e no contexto de letramento digital. Os instrumentos digitais trazem novas formas de produção, transmissão, circulaç&at ...

Alfabetização funcional

Autor: Claudia Lemos Vóvio

Instituição: Universidade Federal de São Paulo-UNIFESP / Departamento de Educação, Curso de Pedagogia e Programa de Pós-Graduação em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência

alfabetização funcional diz respeito ao processo de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita para fins específicos, para a realização de tarefas cotidianas, do âmbito profissional e da convivência comunitária. A qualificação funcional atribui à alfabetização um caráter instrumental – assim, o ensino da leitura e da escrita vincula-se ao desenvolvimento de certas capacidades relac ...

Ambiente alfabetizador

Autor: Sara Mourão Monteiro

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG/ Faculdade de Educação / Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (CEALE)

A expressão ambiente alfabetizador se tornou uma referência para a discussão de aspectos metodológicos da alfabetização nos meados da década de 1980. Com a difusão do ideário construtivista, para o qual o foco é a criança e seu processo de conceitualização da escrita, a interação da criança com esse objeto de conhecimento ganhou uma grande importância nos encaminhamentos ...

Avaliação Diagnóstica

Autor: Gladys Rocha

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG / Faculdade de Educação / Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita-CEALE

Um conjunto expressivo da literatura denomina diagnóstica a avaliação realizada no início de determinado momento da escolaridade, visando à apreensão de aprendizagens relativas a processos e/ou percursos anteriores. Nessa acepção, a avaliação diagnóstica tem o objetivo de auxiliar no delineamento de pontos de partida de processos de ensino. No discurso pedagógico, aavaliação diagn& ...

Bebetecas (bibliotecas para a primeira infância)

Autor: Mônica Correia Baptista

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG / Faculdade de Educação / Centro de Alfabetização Leitura e Escrita (CEALE) e Núcleo de Estudos e Pesquisas em Infância e Educação Infantil (NEPEI)

Bebeteca é uma biblioteca especializada no atendimento à primeira infância (crianças de oito meses a seis anos de idade), cujos objetivos são: 1. Promover situações de leitura para crianças que se encontram na fase incipiente de contato com a linguagem escrita e que ainda não fazem uso autônomo dessa linguagem; e 2. Capacitar promotores de leitura – pais, professores, bibliotecários e voluntários &nd ...


Caligrafia

Autor: Diana Gonçalves Vidal

Instituição: Universidade de São Paulo-USP / Faculdade de Educação/ História da Educação

O dicionário Houaiss registra o aparecimento, em Língua Portuguesa, da palavra calligraphia em 1836. O mesmo dicionário sustenta que, já em 1569, o termo existia em francês e que etimologicamente recua à Grécia Antiga, na expressão kalligraphia. Márcia Almada sugere um uso ainda mais remoto da palavra em português, localizado no livro Eschola popular de primeiras letras, editado pela Real Imprensa da U ...

Caligrafia

Autor: Diana Gonçalves Vidal

Instituição: Universidade de São Paulo-USP / Faculdade de Educação/ História da Educação

O dicionário Houaiss registra o aparecimento, em Língua Portuguesa, da palavra calligraphia em 1836. O mesmo dicionário sustenta que, já em 1569, o termo existia em francês e que etimologicamente recua à Grécia Antiga, na expressão kalligraphia. Márcia Almada sugere um uso ainda mais remoto da palavra em português, localizado no livro Eschola popular de primeiras letras, editado pela Real Imprensa da U ...

Campo semântico

Autor: Rodolfo Ilari

Instituição: Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP / Instituto de Estudos da Linguagem-IEL

Ao lado dos adjetivos semânticolexical ou nocional, a palavra campo tem sido usada para dar contornos mais precisos à ideia (de Saussure, o fundador da linguística moderna) de que, ao explicar qualquer signo linguístico, os falantes da língua enveredam por vários tipos de associações. Saussure ilustrou essa ideia mediante uma representação em que, do signo ensinamento, partem v&aac ...

Cartilhas e materiais para aprender a ler

Autor: Francisca Izabel Pereira MacielIsabel Cristina Alves da Silva Frade

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG / Faculdade de Educação / Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita-CEALE

Nos verbetes de diferentes dicionários brasileiros, o termo cartilha “designa um pequeno caderno que contém as letras do alfabeto e os primeiros rudimentos para aprender a ler; carta do abc” (Houaiss); “é diminutivo de carta, livro ou carta para ensinar a ler” (Caldas Aulete); “é livro para ensinar a ler” (Koogan/Houaiss) ou, ainda, “é livro para aprender a ler" (Aurélio Buarque de Holanda). A difer ...

Ciclo de alfabetização

Autor: Ceris Salete Ribas da Silva

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG / Faculdade de Educação / Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita-CEALE

Utiliza-se na Educação brasileira a palavra ciclo para designar cada um dos níveis em que se divide o tempo do ensino público. A nova lógica temporal instituída pelos ciclos, em contraposição ao antigo sistema seriado, orienta-se pelas necessidades de aprendizagem do educando e, consequentemente, o tempo escolar passa a ser organizado em fluxos mais flexíveis, mais longos e mais adequados às  metas propostas pelo ...

Caligrafia

Autor: Diana Gonçalves Vidal

Instituição: Universidade de São Paulo-USP / Faculdade de Educação/ História da Educação

O dicionário Houaiss registra o aparecimento, em Língua Portuguesa, da palavra calligraphia em 1836. O mesmo dicionário sustenta que, já em 1569, o termo existia em francês e que etimologicamente recua à Grécia Antiga, na expressão kalligraphia. Márcia Almada sugere um uso ainda mais remoto da palavra em português, localizado no livro Eschola popular de primeiras letras, editado pela Real Imprensa da U ...

Campo semântico

Autor: Rodolfo Ilari

Instituição: Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP / Instituto de Estudos da Linguagem-IEL

Ao lado dos adjetivos semânticolexical ou nocional, a palavra campo tem sido usada para dar contornos mais precisos à ideia (de Saussure, o fundador da linguística moderna) de que, ao explicar qualquer signo linguístico, os falantes da língua enveredam por vários tipos de associações. Saussure ilustrou essa ideia mediante uma representação em que, do signo ensinamento, partem v&aac ...

Cartilhas e materiais para aprender a ler

Autor: Francisca Izabel Pereira MacielIsabel Cristina Alves da Silva Frade

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG / Faculdade de Educação / Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita-CEALE

Nos verbetes de diferentes dicionários brasileiros, o termo cartilha “designa um pequeno caderno que contém as letras do alfabeto e os primeiros rudimentos para aprender a ler; carta do abc” (Houaiss); “é diminutivo de carta, livro ou carta para ensinar a ler” (Caldas Aulete); “é livro para ensinar a ler” (Koogan/Houaiss) ou, ainda, “é livro para aprender a ler" (Aurélio Buarque de Holanda). A difer ...


Ciclo de alfabetização

Autor: Ceris Salete Ribas da Silva

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG / Faculdade de Educação / Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita-CEALE

Utiliza-se na Educação brasileira a palavra ciclo para designar cada um dos níveis em que se divide o tempo do ensino público. A nova lógica temporal instituída pelos ciclos, em contraposição ao antigo sistema seriado, orienta-se pelas necessidades de aprendizagem do educando e, consequentemente, o tempo escolar passa a ser organizado em fluxos mais flexíveis, mais longos e mais adequados às  metas propostas pelo ...

Autor: Maria de Lourdes Dionísio

Instituição: Universidade do Minho-Portugal / Instituto de Educação

Uma busca rápida em qualquer site de pesquisa devolve-nos milhares de referências a comunidades de leitores. São blogues de pessoas singulares ou coletivas, convites de clubes de leitura, anúncios de eventos em bibliotecas e até publicidade de editoras e livrarias. Nesse sentido, uma comunidade de leitores consiste num grupo de pessoas que se reúne periodicamente para debater obras previamente acordadas, sugeridas ou não por um co ...

Construtivismo

Autor: Maria das Graças de Castro Bregunci

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG / Faculdade de Educação / Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita-CEALE

Do ponto de vista etimológico, o vocábulo Construtivismo deriva de termos latinos referentes ao ato de construirconstituir,estruturar ou formar. A utilização do substantivo Construtivismo ou do adjetivo Construtivista se aplica a diversas áreas do conhecimento, tais como Matemática, Arquitetura, Informática, Artes, Linguística, Sociologia, Psicologia, Pedagogia. No campo ...

Disponível em: http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/. Acesso em: 14/07/2016.
Imagem disponível em: http://geplei.sites.ufms.br/?p=395. Acesso em: 14/07/2016.

domingo, 10 de julho de 2016

ALFABETIZAÇÃO EM CASA?



Hoje me deparei com uma "chamada", um "link" que me deixou incomodada. Trata-se de uma apostila intitulada "As 5 etapas para alfabetizar seus filhos em casa: o guia definitivo". O material é disponibilizado em DOWNLOAD GRATUITO e se propõe a O trazer "a essência do método eficaz de alfabetização criado pelo prof. Carlos Nadalim, ao longo de cinco anos de pesquisas". Esse método é "repleto de exercícios divertidíssimos, que, além de ensinarem, aproximam pais e filhos". Por meio de um e-book, o material pretende auxiliar pais e mães em sua casa, na "pré-alfabetização de seus filhos". Diante disso, faço algumas afirmações:

- Está claro aqui uma desprofissionalização da docência.
- Faltou fazer uma diferenciação entre ensinar e ajudar com base naquilo que já foi ensinado (no dever de casa, por exemplo).
- Há aqui um consenso assustador que pressupõe que haja um melhor método para se alfabetizar.
- A visão aqui retratada remonta à Idade Média, em que os professores iam nas casas das crianças de famílias abastadas para lhes ensinar a ler e a escrever.
- É disponibilizada aqui uma visão simplista da alfabetização (como mera codificação e decodificação), algo que já se considera superado ou ao menos ultrapassado nas teorias sobre alfabetização.


Disponível em: http://www.comoeducarseusfilhos.com.br/ebook-5-etapas/. Acesso em: 10/07/2016.

Imagem disponível em: http://www.unicamp.br/iel/memoria/Ensaios/Marcia/marcia.htm. Acesso em: 10/07/2016.

terça-feira, 5 de julho de 2016

ENTREVISTA: PROFESSORA ELEVA TAXAS DE ALFABETIZAÇÃO COM NOVO MÉTODO



Por meio de método que enfatiza a oralidade e o diálogo, a pesquisadora Onaide Mendonça elevou as taxas de alfabetização de escolas municipais em Presidente Prudente


Marta Avancini
A combinação de princípios teóricos da linguística e da psicolinguística, tomando como ponto de partida as ideias e propostas de Paulo Freire, é o fundamento de um método de alfabetização desenvolvido na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Presidente Prudente, pela professora e pesquisadora Onaide Schwartz Mendonça. A proposta, denominada de Método Sociolínguistico, foi adotada em escolas municipais de Presidente Prudente, com bons resultados: pesquisa realizada com 3,4 mil crianças do 1º e do 2º ano em 2011 e 2012 mostrou que, ao final de um ano letivo, 72,6% dos alunos estavam alfabetizados, proporção que sobe para 87,8% no 2º ano.
Em entrevista ao site de Educação, a pesquisadora conta como percebeu a possibilidade de fazer a junção de princípios teóricos e sua experiência em sala de aula, além de analisar a difusão do construtivismo no Brasil.

O método sociolinguístico resulta da combinação de sua experiência em sala de aula com seus estudos no mestrado e no doutorado. Como a senhora percebeu a possibilidade de fazer essa junção? 
Estar à frente de uma sala de alfabetização e não saber por onde começar é desastroso. Dá insegurança e pavor em função da responsabilidade que é ter um número significativo de crianças para ensinar a ler e escrever. Ao conhecer a filosofia de educação de Paulo Freire, bem como seu método de alfabetização e a importância que dá ao diálogo, vi uma oportunidade de trazer a realidade das crianças para a sala de aula e garantir o seu interesse pelo mundo da leitura e da escrita.


Quais foram os pontos de contato entre esses dois universos que deram origem ao método?
Paulo Freire oferece a possibilidade de desenvolver a oralidade e ainda dá conta de ensinar os conteúdos específicos de língua organizando o trabalho do alfabetizador. Assim, verifiquei que se por um lado o construtivismo olha para o indivíduo, por outro, Freire vê a importância da socialização e quer todos os alunos lendo e escrevendo com autonomia, e ainda, capazes de intervir criticamente no cotidiano e no mundo em geral.

Paralelamente, as descobertas construtivistas de Emília Ferreiro nos ajudaram a direcionar atividades adequadas às dificuldades de cada criança para intervir pontualmente a fim de que construam e avancem em seus níveis de aprendizagem.

O que chamou sua atenção na proposta de Paulo Freire e como foi a transposição dessa proposta para a alfabetização de crianças?
O diálogo me chamou muito a atenção, pois envolve as crianças no processo de ensino/aprendizagem dando segurança e liberdade para questionarem o professor, assim não ficam com dúvidas sobre os conteúdos e aprendem a argumentar.

A ficha de descoberta é algo mágico para as crianças porque, ao apresentar três famílias silábicas de uma só vez, amplia rapidamente o repertório de conhecimento delas, o que possibilita que aprendam rápido e com alegria, sentindo-se capazes de descobrir, ler e escrever sozinhas cuja conquista valorizam muito.
A transposição para a proposta de Freire para crianças é extremamente simples, pois é só adequar à faixa etária das crianças o nível de questionamento e os textos a serem trabalhados nas palavras geradoras.

A partir de sua experiência e pesquisas, como a senhora analisa a maneira como se deu a difusão do construtivismo no Brasil?
As pessoas envolvidas com a alfabetização precisam compreender que construtivismo não é método de ensino, mas teoria de aprendizagem. Entretanto, no Brasil, a psicogênese da língua escrita foi divulgada como metodologia. As contribuições dessa teoria podem auxiliar muito a alfabetização desde que utilizadas corretamente, mas não foi o que ocorreu.

As secretarias de educação tentaram estabelecer uma relação entre as descobertas teóricas (os períodos e níveis de escrita) de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky e a sala de aula, mas sob uma ótica equivocada. O problema é a ênfase no letramento, ou seja, os usos que se faz da leitura e da escrita, que, entretanto, as crianças ainda não dominam, em detrimento da alfabetização propriamente dita.
Algumas práticas que se tornaram difundidas acabam tendo o efeito contrário do esperado: ao invés dos alunos ganharem autonomia, o processo acaba ficando centralizado no professor porque os alunos ficam sem elementos para avançar.
Por exemplo, o ensino sistemático com a leitura do alfabeto foi banido, pois sugerem que seja recitado ou cantado. Ora, o alfabeto foi criado pela humanidade para ser “lido”. Para que a alfabetização ocorra de modo eficiente, a primeira providencia é o professor explicitar o que e quais são as letras do alfabeto, sua combinação na produção e leitura de sílabas, palavras e textos. Isso é o básico da alfabetização que foi excluído das propostas oficiais.
Os professores também foram orientados a ler histórias, parlendas, poesias para as crianças e, em seguida, elas recontam o texto que é reescrito pelo professor na lousa. Esse trabalho deve ser feito diariamente até que os alunos decorem a história e a cópia do texto, ou seja, a cartilha foi tão criticada por fazer a leitura mecânica das famílias silábicas e em pleno século XXI os professores têm feito crianças decorarem textos inteiros.
Ler textos para os alunos é indispensável, porém ficar questionando sobre o título, autoria, gênero textual sem fornecer as informações necessárias para que os alunos realmente aprendam a ler e escrever é um tremendo equívoco que resultará na produção de futuros analfabetos jovens e adultos.
Erro semelhante seria limitar o trabalho aos aspectos técnicos da língua e se esquecer de mostrar a função social da leitura e da escrita e os diferentes gêneros textuais. Defendemos que se deve trabalhar tanto a alfabetização como o letramento em sala de aula, pois um complementa o outro para a formação de leitores e escritores autônomos.
Esse cenário só será modificado no dia em que os administradores da educação enxergarem que alfabetização é ensino de língua materna. Para assegurar que o profissional saiba o que está fazendo é indispensável prática, experiência de sala de aula, porque a sala de aula é o diferencial em alfabetização. É nela que se vê o que funciona para solucionar problemas de aprendizagem e se aprende a elaborar as melhores estratégias de ensino que garantem a aprendizagem.
Um discurso frequente na educação é o de que a experiência dos professores deve ser respeitada e aproveitada, porém, muitas vezes, quando alguém que veio da sala de aula se pronuncia de forma contrária às orientações oficiais é desqualificado. Ninguém ensina o que não sabe.

Como vem sendo a aplicação do método sociolinguístico na rede pública de Presidente Prudente? 
Nem a secretaria de educação de Presidente Prudente nem os professores estavam contentes com os resultados da proposta que vinha sendo utilizada, por isso nos pediram ajuda.

Os professores sentiam necessidade de trabalhar a sílaba como estratégia que agiliza a aprendizagem das crianças, mas não queriam fazer um trabalho mecânico como o das cartilhas tradicionais. Apresentar as sílabas aos alunos acelera a alfabetização, mas como, em função das orientações oficiais, este trabalho não podia ser realizado, alguns professores o faziam escondido.
Assim, quando tomaram contato com nossa proposta metodológica e sugestões práticas de atividades, enxergaram a possibilidade de realizar um trabalho mais exitoso. Inicialmente, mais da metade dos professores da rede municipal de Presidente Prudente aderiram à proposta.
Uma das dificuldades da implantação da metodologia foi os professores entenderem e incorporarem o diálogo em sua prática. Alguns acham que conversar com as crianças é perda de tempo. Não percebem que o diálogo desenvolve o respeito mútuo, o aspecto cognitivo, valores, além de motivar para a aprendizagem. A maioria já reconheceu a importância e pratica o diálogo.

Disponível em: http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/0/professora-eleva-taxas-de-alfabetizacao-com-novo-metodo-307638-1.asp. Acesso em: 05/07/2016.

Imagem disponível em: http://educaraovivo.com/metodos-de-alfabetizacao/Acesso em: 05/07/2016.