terça-feira, 15 de novembro de 2016

O QUE É A ESCRITA ESPELHADA?

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A escrita espelhada pode ser caracterizada por dois tipos de ocorrências: as relações de letras e a mudança da posição da letra no interior da palavra. Nas rotações, as letras são rodadas sobre o próprio eixo; temos, por exemplo, as inversões das letras: p e q, b e d, u e n. A mudança de posição ocorre quando uma letra tem sua localização modificada dentro da palavra; por exemplo, a criança escreve anso para anos, ou coraçoa para coração. A escrita espelhada é uma ocorrência comum e frequente nos primeiros anos de escolarização e não pode ser considerada como indício de distúrbios e patologias.

Antes da contribuição de vários estudos linguísticos que se ocuparam dessas ocorrências, apresentando explicações que subvertem a lógica do erro, vigorou na Pedagogia uma perpesctiva organicista, pois o espelhamento de letras era entendido como um problema de natureza neuropsicomotora e de domínio espacial, cuja explicação estava relacionada ao conflito entre hemisférios direito e esquerdo do cérebro, falhas na percepção visual, na lateralidade, no esquema corporal ou em noções espaço-temporais.

No Brasil, o trabalho de Cacilda Cuba dos Santos, na década de 1970, seguiu essa tendência de análise, apontando erros típicos que podem ocorrer tanto na escrita quanto na leitura: confusão entre letras simétricas (p/q; n/u; d/b), inversão da ordem das letras dentro de uma sílaba (pal/pla). Disseminou-se a crença, tanto no meio clínico quanto no meio escolar, de que as inversões de letras poderiam ser indícios definidores da dislexia. Com base na perspectiva psicogenética piagetiana, pode-se explicar a escrita espelhada a partir de outros argumentos, que vão além dos aspectos visoespaciais, e romper com uma explicação de caráter patológico. A referência está calcada nos aspectos próprios do desenvolvimento cognitivo infantil, na construção da noção de realidade, mais especificamente, a noção de permanência e de invariância do objeto. Uma das principais descobertas da criança é a compreensão de que os objetos podem ter uma existência independente e que eles possuem propriedades invariáveis. 

Assim, a partir do desenvolvimento dessa capacidade, uma criança pode reconhecer seus pais, bem como outras pessoas que lhe são familiares, independentemente da posição em que se encontrem. No caso da escrita, a situação é bem diferente, ou seja, a posição da letra determina sua identidade, e esse aspecto precisa ser observado; por exemplo, quando o círculo estiver voltado para baixo e para a esquerda, será a letra "d"; quando estiver voltado para baixo e para a direita, será a letra "b"; quando o círculo estiver voltado para a direita e para cima, é a letra "p"; e, por fim, se estiver voltado para a esquerda, será a letra "q", ou seja, a letra não é um objeto que pode modificar de posição e se manter como 'invariante'.

Conhecer as convenções da escrita e suas arbitrariedades é um primeiro passo para solucionar os problemas que envolvem a escrita espelhada. A criança precisa ser orientada sobre a necessidade de se levar em consideração a posição das letras, tomando como referência o espaço gráfico, isto é, as margens do papel, a direção (da esquerda para a direita) e o sentido (de cima para baixo) da escrita. É importante mostrar para a criança que, além de sua permanência como traço gráfico e sua convencionalidade, as letras também podem até mudar de som em razão da posição de passam a ocupar; por exemplo, a letra R no início da palavra, como ROMA (som forte), e a letra R entre duas vogais, como BARATA (som fraco).

A criança também precisa compreender que, se é invertido o PAL pelo PLA, ocorre mudança sonora na leitura da palavra. Estudos recentes mostram que quanto mais a sílaba se distancia do padrão CV (consoante vogal), mais chances tem o aprendiz de trocar a ordem das letras - mas essas ocorrências estão num padrão de normalidade comum na fase inicial da escrita e tendem a desaparecer no tempo de consolidação das aprendizagens.

REFERÊNCIA: 

RESENDE, Valéria Barbosa de. Escrita espelhada. In: FRADE, Isabel Cristina Alves da Silva; VAL, Maria da Graça Costa; BREGUNCI, Maria das Graças de Castro (orgs.). Glossário Ceale: termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores. Belo Horizonte: UFMG/Faculdade de Educação, 2014.

sábado, 17 de setembro de 2016

ALFABETIZAÇÃO DIGITAL





Ser alfabetizado, saber ler, escrever e as quatro operações matemáticas, já se sabe há muito tempo, é requisito para a plena inserção do cidadão na sociedade. Mas, na medida em que a sociedade se organiza cada vez mais em torno da internet, criando a "Sociedade da Informação", outra alfabetização além desta é necessária: a alfabetização digital. Assim como não aprendemos automaticamente a escrever quando ganhamos uma caneta ou um lápis, também não aprendemos a usar todas as potencialidades do computador e da internet sem um treinamento adequado. 

Quais são as habilidades chaves desta nova alfabetização? A aprendizagem de ferramentas de comunicação digital e a existência de redes para acessar, manipular, criar e avaliar informação, segundo a Comissão Européia para a promoção da alfabetização digital. Ou, como define o educador Celso Niskier: "aprender a colaborar, aprender a usar a informação, aprender a resolver problemas e aprender a aprender".

As tecnologias de informação e comunicação estão por todos os lados, mas há uma evidente carência de informação e formação quanto ao seu uso. Os números revelam que ainclusão digitalacontece, no mundo todo, inclusive no Brasil, de forma mais acelerada que o previsto. A expansão dos cabos de fibra ótica, a ampliação dos serviços de banda larga, os equipamentos móveis como celulares e tablets, a queda no preço dos equipamentos e outros acontecimentos estão fazendo com que até mesmo as pessoas mais humildes tenham acesso aos computadores e a web.

As escolas particulares e as redes públicas de ensino, do ensino fundamental a universidade, também foram incorporando as tecnologias ao seu repertório de ações pedagógicas e administrativas. Há um esforço evidente para que as ferramentas se transformem, efetivamente, em meios através dos quais a educação possa ser trabalhada com melhores resultados, com maior qualidade.

Ainda assim há lacunas que não foram preenchidas corretamente e que repercutem na sociedade. Há, por exemplo, uma distância clara entre disponibilizar recursos e acesso e realizar uma efetiva e necessária alfabetização digital.

Por alfabetização digital entenda-se, de passagem, nos referirmos ao preparo e capacidade de utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação de forma plena, ou seja, valendo-se de suas possibilidades múltiplas, em suas diferenciadas plataformas, compondo a partir das ferramentas encontradas para melhorar o desempenho, a ação e a condição de trabalho e realização.

Significa, por exemplo, entender como funcionam recursos como planilhas, processadores de texto, apresentações em slides, comunicadores virtuais, redes sociais, ferramentas de edição de vídeos e músicas e tantas outras funcionalidades que estão presentes no universo digital.

A compreensão do funcionamento destes recursos é o primeiro passo para que seu uso aconteça e permita ao usuário ir além daquilo que intuitivamente atingiu no contato com estas ferramentas. Por uso próprio muitas são as pessoas que começaram e até hoje utilizam estas tecnologias. Não se pode desprezar e nem tampouco desperdiçar o tempo e o esforço despendidos para que isso acontecesse.
Na realidade, os computadores e as redes acabaram se tornando elementos importantes para que as pessoas percebessem o potencial e possibilidade de desenvolvimento por conta própria, em processo de autoaprendizagem, ou seja, capacitando-se individualmente, de forma espontânea, motivados pelo fascínio e elementos de interesse trazidos pelos computadores e pela internet.
Ainda assim, compete às escolas, como inclusive está sendo pensado e proposto nos Estados Unidos, a partir da Comissão Federal de Comunicações (Federal Communications Comission), a imprescindível tarefa de preparar alunos de diferentes faixas etárias a usar as tecnologias e incorporá-las a seus estudos, trabalho e vida cotidiana.
O que se tem visto é um crescente uso das tecnologias, com crianças e adolescentes utilizando recursos digitais (nos quais se incluem televisores, computadores, celulares e afins) por, em média, de 10 a 12 horas diárias, registrando crescimento de uso de 3 a 4,5 horas por dia em aproximadamente uma década.
Muito tempo tem sido dedicado à navegação sem rumo, sem objetivos claros, desprovida de interesse específico, seja para os estudos ou para o trabalho, por exemplo. Dedica-se muito tempo às redes sociais, ao entretenimento, a comunicação entre pares e, com isso, tem-se a constante e real percepção de tempo perdido, desperdiçado, no qual o usuário poderia aprender algo, realizar, produzir para si mesmo e para a sociedade.
Não que outras finalidades, relacionadas mais especificamente ao lazer e a informação não ligada ao estudo ou ao trabalho, sejam fúteis, descartáveis ou desnecessárias. O problema é o dispêndio de energia apenas ou principalmente direcionado a estas ações no mundo virtual. Neste sentido torna-se essencial a compreensão das tecnologias como elementos que nos permitem tanto o entretenimento quanto a produtividade nos estudos e no trabalho.
Nos Estados Unidos os estudos da Comissão Federal de Comunicações avaliam propostas de investir até 200 milhões de dólares para que professores e tutores especializados na utilização de softwares, internet e redes sociais, entre outros dispositivos e ferramentas, possam ensinar aos alunos, seus pais e toda a comunidade, como usar de forma correta, produtiva e focada os instrumentos das Tecnologias de Informação e Comunicação.
Um dos focos desta iniciativa norte-americana é, inclusive, o de fornecer elementos e conhecimento quanto as tecnologias aos desempregados para que eles se aperfeiçoem e se beneficiem destes saberes ao pleitear novas colocações e, até mesmo, diferentes ocupações no mercado de trabalho.
De qualquer modo, é importante atentar para o fato de que no mundo em que vivemos, com recursos sendo disponibilizados para nossa utilização em quantidade e velocidade para que os tenhamos em casa, na escola, no trabalho e mesmo em locais públicos, como repartições governamentais, bancos ou supermercados, precisamos aprender a fazer melhor uso de todos estes mecanismos.
alfabetização digital é inclusiva, pois permite a quem sabe apenas intuitivamente, por uso, assim como para quem nada conhece, assim como para aqueles que já têm maior saber na área, ingressar de vez no universo virtual. Não pode, no entanto, ser pensada apenas como capacitação tecnológica, vai além disso, pois deve ser pensada e proposta, entendida e realizada como elemento que gera a compreensão do poder das ferramentas e do universo digital, suas consequências e responsabilidades.
Saber como utilizar tais tecnologias é apenas o primeiro passo, que deve ensejar, na continuidade desta inclusão digital, a compreensão do porque utilizar, das repercussões de uso, do compromisso que deve estar além do interesse individual, compreendendo também o respeito e o trabalho em prol de interesses coletivos e sociais.
Na escola aprendemos a ler, escrever, realizar cálculos, compreender a história, o funcionamento do corpo humano, as dimensões do universo, o pensamento científico e tantos outros saberes, criados e desenvolvidos ao longo de toda a existência de homens e mulheres neste planeta. Estes saberes são fundamentos que nos auxiliam a viver em grupo, compartilhar, trabalhar, construir, pensar, analisar, avaliar e tantas outras ações que nos caracterizam sendo, por isso mesmo, compreendidos tanto o ensino quanto a aprendizagem destes conhecimentos como parte essencial da construção da própria identidade dos seres humanos.
As tecnologias consistem, neste sentido, no atual estágio da evolução da humanidade, quesito adicional de suma importância que precisa ser integrado ao cotidiano para uso, como de fato já está a acontecer, com a incorporação de tantos recursos em tão pouco tempo, quanto principalmente, no que se refere ao entendimento do que tudo isso significa para cada um e para todos.

4 passos da alfabetização digital


Estar incluído digitalmente
Em primeiro lugar, é preciso estar "incluído". Isso significa ter acesso a um computador e à internet. A construção de telecentros em bairros periféricos, por exemplo, tanto pela iniciativa pública quanto privada é altamente necessária neste contexto. O uso de softwares livres, os programas de computador que podem ser baixados livremente na internet sem a necessidade de pagar por eles, também é outro ponto importante, pois baixa drasticamente o custo de instalação de programas no computador.

Para medir a inclusão digital num país, não basta quantificar o número de computadores por casa. Este método é bastante usado, mas não é um indicador preciso. Outras medidas importam, como o tempo que o indivíduo tem para acessar a rede, a qualidade do acesso e a constante atualização de hardware, a parte física dos computadores, e de softwares, os programas que usamos. Além disso, o potencial de aproveitamento da inclusão digital dependerá diretamente da capacidade de leitura e interpretação da informação pelo usuário. Assim, combater a exclusão escolar é também combater a exclusão digital. A alfabetização básica é o início da oportunidade de condições para o uso do computador e da internet.

Dominar a tecnologia: conhecimento do hardware e de diversos softwares
Depois de ter acesso, aprender o funcionamento básico do hardware, ou como funciona a parte física do computador, é o primeiro passo para se ter domínio sobre com salvar e transportar informação para outros computadores. Saber que existe uma memória rígida na máquina, onde gravamos o conteúdo que nos interessa, por exemplo, e depois quais são e como usar os dispositivos móveis de memória, como o CD-ROM, o disco removível (pen drive), possibilita uma primeira apropriação do computador. Em paralelo a este conhecimento, é preciso desenvolver o aprendizado dos softwares, os programas que se usa para diversas funções. Para elaborar um currículo é necessário aprender a manipular um "processador de texto". O mais conhecido deles é o "Word", programa da empresa Microsoft. O Word está dentro de um conjunto de aplicativos para computador chamado "Office", que reúne outros programas muito usados no mercado atual de trabalho: o Excel, para desenvolver planilhas de cálculos e organizar diversos dados e o Power Point, muito usado para a apresentação de resultados ou projetos em empresas e cursos. Depois, para mandar o currículo elaborado, é preciso saber usar um navegador na internet, usado para a visualização das páginas, como o Firefox e o Internet Explorer.

Outra alternativa é usar o pacote "Open Office", conjunto de softwares gratuitos, possíveis de serem acessados através da internet. Este treinamento básico geralmente é oferecido em cursos para iniciantes, tanto em escolas pagas, como em iniciativas gratuitas nos Telecentros, por exemplo.

Adquirir conhecimentos e habilidades para buscar, selecionar, analisar, compreender e recriar informações acessíveis digitalmente
Se você retira um livro na biblioteca, identifica rapidamente quem é o autor, quais os outros livros ele escreveu, lê a orelha da capa e já sabe o que esperar do conteúdo. Na internet, em um ambiente com milhares de páginas de conteúdo que aparecem de forma fragmentada, contextualizar a informação que se acessa através de buscadores como o Google não é tarefa das mais fáceis. Por isso, conhecer as principais formas de busca de informação na internet, ter critérios para selecionar e reconhecer qual é o volume de informações necessário para resolver determinado problema, analisá-las e compreendê-las de forma crítica, assim como não acreditar piamente em tudo que está escrito antes de interpretar o contexto é fundamental para aproveitar com qualidade o grande banco de dados que é a rede.

Usar de forma eficaz a informação encontrada em função de um objetivo previamente determinado é um parâmetro para identificar um bom desenvolvimento nestas competências. Às vezes, achamos um site e acreditamos que ele é a única fonte daquelas informações. Mas é preciso tomar cuidado, pois muitas vezes o que está ali pode ter sido copiado de qualquer outro lugar, até de um livro, e não apresentar a referência correta. Saber identificar isso é fundamental para o uso da internet como fonte de pesquisas escolares, e é necessário "alfabetizar" os jovens neste uso.

Na sala de aula, uma forma de incentivar o desenvolvimento destas habilidades é fazer com que o aluno construa um pequeno banco de dados de informações sobre um determinado tema, selecionando o que é importante e o que não.

Usar a tecnologia no cotidiano, não só como entretenimento e consumo, mas também como meios de expressão e comunicação com a comunidade
Aprender a partilhar informação em redes sociais, fóruns de discussão, e-mails, blogs e sites é outra função importante da alfabetização digital. Em uma pesquisa sobre exclusão digital feita pelos pesquisadores Bernardo Sorj e Luís Eduardo Guedes, as pessoas que acessavam a internet pela primeira vezes nas favelas do Rio de Janeiro tinham dificuldade em mandar e-mail, pois suas redes de relações sociais não estavam incluídos digitalmente. Então como partilhar informações com a comunidade se ela não está online?

Cada rede social e ferramenta de publicação na internet é direcionada para um determinado tipo de experiência, apesar das pessoas poderem fazer o uso que quiserem destas ferramentas. Um blog pode ser um diário online, um caderno de receitas aberto, ter textos de ficção ou jornalísticos, e pode ser também usado para fins educativos. O Orkut pode ser usado para conhecer pessoas e conhecê-las no mundo real, ou não. A amizade pode ser virtual e trazer novas informações para os envolvidos. Já um site serve como um arquivo de textos, informações, fotos, enfim, tudo o que o autor quiser disponibilizar para seu público leitor.

A mais nova ferramenta que mistura mensagem instântanea, como uma mensagem de texto no celular, blog e rede social é o Twitter. É só acessar e criar um cadastro gratuito. Depois disso, é possível importar contatos que estão nos e-mails pessoais e começar a "seguir" seus amigos, que serão a sua rede social. Você poderá ver todo o conteúdo digitado pelas pessoas seguidas, e vice-versa: quem segue você pode ver o que você escreve. 


Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rCCfKaifsjg; http://cmais.com.br/educacao/educacao-em-foco/educacao-e-tecnologia/titulo-58; http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/alfabetizacao-digital-429745.shtml. Acesso em: 17/09/2016.

sábado, 3 de setembro de 2016

O RÁDIO NA SALA DE AULA

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Os aspectos radiofônicos são compostos por sons e palavras que dão asas a imaginação. Ademais, ele pode ter um diferencial, que é o âmbito do sentido. Esse diferencial seria uma mistura de teorias e sensações que torna o rádio um ótimo instrumento para professores e pesquisadores interessados no ato de comunicar com fins educativos. Nessa linha de pensamento, como inicio, é necessário questionar sobre a razão para educar, já que “a questão não é só do quanto podemos fazer, mas também de como podemos fazê-lo”, e para isso é preciso conciliar a prática e a teoria, sempre se preocupando com o caráter educativo da função comunicativa e o seu caráter político.

O rádio tem muito valor, principalmente numa sociedade que existem milhões de analfabetos. Dessa forma, reflete-se sobre uma pedagogia do rádio, tendo como premissa a inquietude educativa, lembrando que o papel do rádio deveria ir além dos programas, dos comerciais e das estatísticas sobre as audiências, priorizando também seu público e respeitando suas culturas. Logo que, a cultura é o que se serve para o homem, para comunidade e para sua própria construção humana e social. Apesar desse conceito, alguns pontos de vista sobre o mundo eram elaborados por membros da elite que não concordam com essa definição; e esse mesmo ponto de vista elitista, foi capaz de afirmar que o individuo se educa apenas durante os anos da infância e adolescência. Porem, para Mario Kuplún (autor do livro: produção de programas de rádio) defende a concepção de educação permanente, as pessoas se educam durante toda a vida.

Partindo desse pressuposto, usando a pedagogia radiofônica, Kaplún aponta três cominhos para a educação através do rádio:
A que põe ênfase nos conteúdos (que é baseado no processo de educação formal – transmissão de conhecimentos ao educando, geralmente de forma autoritária e paternalista). Ao educador cabe o papel de interpretar o mundo e transmitir, e ao educando o direito de escutar, sem interferir na interpretação do mundo;
A que ressalta os resultados (baseado na manipulação de atitudes de acordo com planos pré-determinados – usados bastante em formato publicitário.). Induz a população a adotar certas formar de pensar, sentir e atuar, não estabelecendo o desenvolvimento autônomo da personalidade do individuo. 

E a que destaca os processos (baseado numa relação de educador e educando, que ao expor conteúdos em discussão, constrói um cidadão crítico de sua própria realidade).
Já que o rádio tem como características a sensorialidade – dá vazão a imaginação e exerce relação emocional nos diálogos, a dinâmica – rapidez na produção de conteúdos, a visibilidade – permite audição das mensagens sem impedir a realização de outras atividades, o imediatismo, a instantaneidade, o baixo custo que transformam o rádio num veículo rápido, versátil e acessível, há a possibilidade de transformá-lo em uma ferramenta para ser utilizada em sala de aula. Além disso, este método é eficaz e aguça a criatividade dos alunos, sem esquecer que o áudio é capaz de estimular as pessoas à leitura, pois o ouvinte – às vezes – busca as referencias dos conteúdos no texto impresso, o que garante perenidade da informação.

Para a execução dessa união entre o áudio e o material impresso, é necessário o público escolar ter contato com a produção radiofônica. Ou seja, criar roteiros para suportes sonoros, confeccionar cenários através das trilhas de efeitos, buscar o texto impresso como referência ao conteúdo sonoro em questão, etc. E para a efetivação desse processo, é necessário criar peças sonoras de acordo cm o plano pedagógico da disciplina em questão; apresentar os conteúdos produzidos em sala de aula, discutindo os significados do áudio; preparar novos conteúdos a partir de divulgação dos itens básicos para sua construção, através da montagem do roteiro; gravação, edição e finalização da áudio-aula e audição da áudio-aula, avaliando a qualidade quanto à percepção da mensagem.

Essa experiência sonora a ser desenvolvida em classe torna a aula mais democrática, solidária e dinâmica. Pois, a prática da leitura de pequenos textos, contos ou poemas pro âmbito radiofônico extrapola o universo escolar, podendo ter como receptores não só a unidade escolar, mas sim as associações e grupos que fazem parte de uma comunidade. Essa sugestão além de democratizar a comunicação, ajuda na familiarização do processo sonoro e gera sujeitos da história capazes de contar e divulgar conteúdos através das ondas do rádio.


O objetivo é utilizar o rádio como ferramenta pedagógica de modo a desenvolver entre os alunos a prática da oralidade e o desenvolvimento de textos em salas de aula.
O Rádio é um dos recursos pedagógicos muito importantes, pois a tecnologia está cada vez mais presente na educação. Então se faz necessário utilizar diversos instrumentos pedagógicos para que a assim a aula se torne significante para os alunos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais já incluem nos meios de comunicação social no espaço escolar, propondo ao educador trabalha-los interdisciplinarmente. O rádio possibilita aos alunos o compartilhar democraticamente com outros colegas e o saber elaborado de novos conhecimentos. Ao trabalhar com o rádio estaremos promovendo diversas atitudes tais como: a expressão, a cidadania, a atenção auditiva, capacidade de trabalhar em equipe, a linguagem, a ciência e tecnologia.
O rádio é uma ferramenta essencial no processo de ensino e aprendizagem, pois podemos trabalhar e explorar diferentes percepções.Como o auxilio do radio de sala de aula desenvolvemos  a oralidade, o amplio de vocabulário, a percepção lógica, auditiva e a percepção rítmica, alem de despertar a atenção, concentração, imaginação e explorar de diferentes tipos de sons e os movimentos.
O rádio trabalhado em sala de aula possibilita a professor uma melhor intenção com os alunos, alem de proporcionar momentos de alegria e prazer, uma aula diferenciada que facilita o aprendizado e a absorção dos conteúdos a serem ensinados, com qualidade e eficiência.
Dez motivos para você levá-lo para a escola:
1. O rádio desenvolve a expressão;
2. ajuda as crianças a perder a inibição para falar em público;
3. exercita o raciocínio lógico;
4. leva o aluno a descobrir — e mostrar aos outros — seus talentos;
5. eleva a auto-estima;
6. permite conhecer e utilizar novas tecnologias;
7. estimula a imaginação e a criatividade;
8. dá um sentido concreto ao conhecimento escolar;
9. promove a cidadania e favorece a interdisciplinaridade.
10. favorece a interdisciplinaridade.

Disponível em: http://www.gostodeler.com.br/materia/10006/o_radio_dentro_da_sala_de_aula.html; https://vivenciaspedagogicas.wordpress.com/2011/10/27/o-uso-do-radio-em-sala-de-aula/. Acesso em: 03/09/2016.
Imagem disponível em: http://www.portalgens.com.br/imprensa/web/novaescola.htm. Acesso em: 03/09/2016.

domingo, 21 de agosto de 2016


GÊNEROS OU TIPOS TEXTUAIS?



Jamais confundimos uma bula com uma carta, uma notícia de jornal com uma oração,
um poema com uma entrevista. Por quê? Porque reconhecemos as características dessas
“espécies” de texto, aprendidas na convivência social ou na escola. Sabemos também como
cada uma delas funciona socialmente. Não entramos no consultório de um médico e
esperamos que ele nos passe uma receita de bolo, nem entramos no MSN (Messenger –
programa de conversa pela Internet) esperando encontrar artigos científicos. Cada espécie
de texto circula em um determinado portador ou suporte, tem seu formato próprio, usa
um estilo de linguagem específico e “funciona” em um dado contexto social.

Essas “espécies” de texto são o que chamamos gêneros textuais. Os PCN de Língua
Portuguesa – 5ª a 8ª séries (1998, p. 22) definem os gêneros textuais como “famílias de
textos que compartilham características comuns”. Que características seriam essas? As que
dizem respeito à ação de linguagem que se realiza por meio dessa “família” de textos, ao
contexto social em que eles costumam ocorrer, ao suporte ou portador em que circulam,
à sua estruturação peculiar e ao estilo de linguagem que normalmente adotam, à temática de
que costumam tratar e também ao modo como costumam abordar essa temática.

Como é que surge um gênero textual? Um gênero vai-se constituindo no uso coletivo
da linguagem – oral e escrita. Os membros de uma comunidade lingüística vão estabe -
lecendo, no correr de sua história, modos específicos de se dirigirem a determinado
público para alcançarem determinados objetivos ou funções. 

Por exemplo: onde é que
você já ouviu ou leu uma passagem como “a família de Fulano de Tal cumpre o
doloroso dever de comunicar aos parentes e amigos o seu falecimento...”? Como é que
se chama essa espécie de texto? Para que serve? Quem é que o manda divulgar? Como
é que ele continua? Nessa espécie de texto caberia a expressão “bateu as botas” ou
“abotoou o paletó de madeira”? E a palavra “féretro”? Com certeza você sabe responder a essas
perguntas, ainda que nunca tenha tido aula de redação sobre esse gênero textual – você
o aprendeu na sua experiência social.

Isso mostra o que afirmamos acima: as práticas sociais de linguagem, orais e escritas,
vão estabelecendo modelos textuais para serem usados em determinadas situações.

A leitura desses textos e a comparação deles com exemplares atuais dos mesmos gêneros
nos fazem constatar um outro aspecto importante: os gêneros, embora atuem como
padrões textuais, não são imutáveis, não são inalteráveis. Como disse Bakhtin, um estudioso
soviético pioneiro na formulação desse conceito, os gêneros são padrões de enunciado
“relativamente estáveis” (1992, p. 277). Para nos servirem como padrão e nos orien tarem
na hora de compreender ou de produzir textos, é importante que os gêneros sejam
estáveis. 

No entanto, como a vida social muda e as práticas de linguagem se modificam
continuamente, esses padrões são apenas relativamente estáveis: alteram-se de acordo
com as novas possibilidades e necessidades sociais. Por isso, há gêneros que caem em desuso (ex.: telegrama, telex) e gêneros novos que aparecem (ex.: fax, e-mail, blog). Por isso também
são inúmeros os gêneros textuais coexistentes numa sociedade, já que são múltiplas
as necessidades comunicativas das coletividades humanas.

Os textos em geral, qualquer que seja seu gênero, são constituídos por segmentos de
natureza e características diferentes. Por exemplo, segmentos de exposição de idéias, de
narração, de descrição, de argumentação, de instrução, de diálogo. Esses segmentos,
que podem ser reconhecidos pelas regularidades no emprego dos recursos lingüísticos,
é que têm sido chamados de tipos textuais ou tipos de discurso.

Eles representam atitudes enunciativas diferentes (quero contar uma história, quero
expor meu pensamento, quero descrever alguma coisa), que podem se articular num
mesmo texto. Assim, o gênero romance – em que a atitude enunciativa básica é contar
uma história – costuma apresentar passagens que descrevem os personagens e o cenário
onde se desenvolve o enredo. Mas é também possível que um determinado romance
inclua o discurso em que um personagem, candidato a prefeito da cidade, expõe sua
plataforma política e procura convencer os eleitores a votar nele. Outro romance pode
incluir receitas culinárias trocadas por determinados personagens, ou então a fórmula
secreta de um veneno muito perigoso. 

Da mesma maneira, uma carta pode apresentar
passagens expositivas, argumentativas, narrativas ou descritivas, entre outras. Esses
exemplos mostram que, de fato, um texto, de qualquer gênero, pode ser composto de
um ou mais tipos textuais: narrativo, expositivo, argumentativo, descritivo, instrucional,
dialogal.

Qual a diferença entre tipos e gêneros?

Os gêneros são categorias, padrões, modelos de texto que, digamos, “têm vida própria”,
isto é, circulam de fato na vida social. São muito numerosos, porque atendem a necessidades
comunicativas e organizacionais de muitas áreas da atividade humana, e porque
se renovam, ao longo do tempo, em razão de novas necessidades, novas tecnologias,
novos suportes. Neste Caderno, já foram mencionados muitos gêneros – bula,
romance, carta, anúncio classificado, notícia, entre outros.

Já os tipos não são textos concretos, não “têm vida própria”, são atitudes enunciativas
que acarretam modos característicos de emprego dos recursos lingüísticos presentes em
um texto ou em seqüências de texto. São componentes dos textos e podem aparecer em
diferentes gêneros, com exclusividade ou articulados entre si. São poucos e são mais
estáveis que os gêneros. Como enumeramos anteriormente, os mais conhecidos são:
narrativo, expositivo, argumentativo, descritivo, instrucional, dialogal.

Durante muitos anos, a escola ancorou o ensino da escrita no domínio dos tipos narrativo,
descritivo e dissertativo (expositivo e argumentativo). Mas, fora da escola, nós não
encontramos tipos puros, encontramos textos pertencentes a determinados gêneros,
que se compõem de um ou mais tipos. Encontramos, por exemplo, editoriais e artigos
de opinião em que predomina a atitude enunciativa argumentativa, embora também
admitam passagens narrativas ou descritivas. Encontramos contos, histórias, romances de
amor ou de aventura, nos quais a atitude narrativa é a fundamental, mas também há
lugar para a exposição ou a descrição, por exemplo. Encontramos receitas culinárias e
regras de jogos, que se organizam a partir do tipo instrucional.

Os tipos, em geral, se marcam pelo uso característico dos recursos lingüísticos. Por
exemplo, o tipo narrativo traz os verbos, predominantemente, no tempo passado e
principalmente articuladores (também chamados “organizadores textuais”) que expressam
relações de tempo. Os tipos expositivo e argumentativo se organizam basicamente
em torno do presente verbal e usam sobretudo articuladores que indicam relações lógi -
cas (causa, conseqüência, condição etc.). No tipo instrucional, prevalece o modo
imperativo, já que se trata de um tipo que organiza textos cujo objetivo é oferecer ao
leitor orientação para realizar alguma ação.

Disponível em: http://www.ceale.fae.ufmg.br/. Acesso em: 21/08/2016.
Imagem disponível em: http://www.estudopratico.com.br/generos-textuais/. Acesso em: 21/08/2016.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

ENTREVISTA COM IVOR GOODSON: 
A arte de contar a própria história




Disponível em: REVISTA PÁTIO, Ano XI, nº 43, AGO/OUT, 2007. Acesso em: 18/08/2016.


sábado, 13 de agosto de 2016

COMO ELABORAR UM CAÇA PALAVRAS?

Acessar o site: http://www.lideranca.org/word/palavra.php

Preencha o formulário abaixo.




Clique em criar caça palavras

Pronto! Seu caça palavras foi gerado com sucesso!!!

Disponível em: http://www.lideranca.org/word/palavra.php. Acesso em: 13/08/2016.


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

MÉTODO DAS BOQUINHAS
RENATA JARDINI




Alfabetização pelo Método das Boquinhas
O Método das Boquinhas foi aprovado como Tecnologia Educacional pelo MEC em novembro de 2009, 2010 e 2011, sendo atestado como eficiente para alfabetizar e recuperar a alfabetização de crianças, jovens ou adultos. 

Sua fundamentação teórica é de base multissensorial, fônica-vísuo-articulatória, propiciando rapidez e segurança na associação do fonema ao grafema (som à letra) uma vez que é uma Metodologia Sintética, Concreta e Sinestésica e acrescenta o diferencial do articulema (boquinha), contribuindo para o real aprendizado e recuperação da leitura e escrita. Pode ser usado na íntegra, como Metodologia adotada pela escola, ou como uma ferramenta de trabalho para a conversão fonema/grafema, sendo inserido na proposta adotada pela escola. 

O Método das Boquinhas é de fácil aplicabilidade e compreensão e tem sido utilizado em salas de aula com todas as crianças, alunos comuns e outros com trocas de letras, trazendo grande e positivo impacto sobre os resultados na aprendizagem e autoestima do professor e do aluno, desde as séries iniciais até o grupo da EJA. Resultado semelhante tem sido observado na terapêutica clínica.

A parceria entre a Fonoaudiologia e a Pedagogia tem trazido ganhos aos estudantes e à educação em geral. O mercado atual exige educadores com capacitação e fundamentação sobre alfabetização que possa atender e obter resultados para quaisquer tipos de alunos, favorecendo a inclusão e agilizando os processos de aprendizagem, contribuindo assim, para melhor desempenho acadêmico da escola e do Município. 

Público Alvo: 
Professores da rede estadual, municipal ou particular de educação infantil, ensino fundamental, pedagogos, psicopedagogos, psicólogos educacionais, fonoaudiólogos envolvidos com a educação, num total de até 100 profissionais.

Objetivo Geral:
•    Proporcionar desenvolvimento e aperfeiçoamento aos profissionais.

Objetivos Específicos:
 
•    Capacitar o educador a conhecer o desenvolvimento normal do processo de aquisição da leitura e escrita; 
•    Capacitar o educador a identificar o erro durante esse processo, classificando-o e analisando-o para possível remediação pedagógica;
•    Capacitar o educador a alfabetizar crianças com a proposta oferecida pelo Método das Boquinhas;
•    Capacitar o educador a utilizar os livros e materiais de apoio que a metodologia Boquinhas oferece para aplicação prática em sala de aula; 
•    Trocar experiências por meio de discussão de casos durante o curso.

Programa do curso:
1º período:     
- A correlação entre fala e leitura e escrita;
- Os processos neuronais de aquisição da leitura e escrita;
- As rotas de leitura e as fases da escrita;
- Métodos de alfabetização e suas consequências;
- O treino da consciência fonológica e fonêmica;
- O treino dos articulemas e consciência fonoarticulatória.

2º período:
- O erro como ferramenta de trabalho;
- Distinção entre erros esperados no processo de aquisição e erros patológicos;
- Letras com oposição de sonoridade (surdas/sonoras);
- Letras com dificuldades ortográficas;
- Análises de escrita.

3º período:  
   
- Pressupostos teóricos do Método das Boquinhas;
- Vogais: passagem da hipótese pré-silábica para silábica alfabética;
- A sílaba e o processo alfabético de escrita; 
- Os exercícios do livro Alfabetização com as Boquinhas;
- Trocas de letras e sua recuperação segundo o livro Caderno de Exercícios;
- Uso dos jogos de Boquinhas.

4º período:
- As sílabas complexas;
- Aquisições gramaticais;
- Elaboração e interpretação de textos;
- Aglutinações e segmentações na escrita;
- Exercícios de velocidade de leitura;
- Análise de casos.

Recursos Necessários:
•    Projetor data-show com micro computador;
•    Sistema de som com amplificador para microfone e laptop;
•    Sala com cadeiras;
•    Livro de Alfabetização com Boquinhas- livro do professor e aluno (opcionais);
•    Apostila para todos os alunos, oferecida pela autora;
•    Certificado oferecido pela autora.

Disponível em: http://www.metododasboquinhas.com.br/alfabetizacaopelometododasboquinhas.aspx. Acesso em: 03/08/2016.

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=x5adqYkLCdQ. Acesso em: 03/08/2016.